Na pista

“Você dança como eu escrevo.” Essa é a frase que eu uso pra me desculpar por não dançar com você. Não posso tanto. Preferia até que não houvesse o pedido, pra que eu não tivesse que negar.

Embora você tenha o tom exato, eu não posso. Eu não gosto de ser o centro das atenções – e a festa inteira olha pra você. Além do mais, eu não sei dançar, não assim desse jeito como você dança. Perfeito.

“Eu não queria você pra dançar.” Isso é o que eu respondo, meio sem-vergonha, um tempo depois, quando você puxa assunto no bar. Você responde sorrindo, ah, o sorriso. Você entendeu.

Quero deixar claro que gosto de você. Porque eu gosto, muito. Gosto mesmo sem saber que você curte Leminski e viagens. Que faz música. Seria suficiente. Gosto sem ainda nem desconfiar que você, além de dançar e sentir, também reflete. Que tem consciência política e preocupação social. Perfeito.

“Não tenho ciúme.” É o que eu penso que vou dizer enquanto você escorrega pela pista com várias meninas diferentes. Suas mãos firmes conduzem com a destreza que as minhas agora correm no teclado. Quando está dançando, você não olha pra mim. Não olha pra ninguém, está inteiro nos passos e figuras. Não tenho ciúme porque é bonito ver você dançando.

Vejo você dançando e penso: “Eu teria dito isso tudo se você tivesse falado comigo”.

 

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Vírgula

…uma das poucas pessoas que não tenho medo em dizer qualquer coisa. O resto do mundo, sabe como é, sempre se ofende com alguma vírgula…

Facebully

By Gilka

Qual a etiqueta quando o Facebook te oferece para conectar com um bully?
[  ] A · Fingir ser Madre Teresa, aceitar e não dizer nada
[  ] B · Aceitar e postar na wall dele/la: Então? Vais  me chamar de homossexual como nos tempos de escola?
[  ] C · Aceitar e procurar fotos no profile dele/la que revelem algo que desconfiavas
[  ] D · Denunciar como span, fechar a conta no Facebook e voltar para o Orkut
[  ] E · Virar evangélico para ser curado/a
[  ] F · Tomar champanhe para celebrar a descoberta do Higgs Boson e o casamento gay

Reservada

[zilla_alert style=”white”] By Carminha [/zilla_alert]

Essess diass convidei duas amigass para irrmos num bar que há muito tempo queria conhecer.

Barr pequeno, meia luz, boass cerrvejass, boa comida. Já cheguei querendo a melhorr mesa, mass ela estava reserrvada. Enquanto colocava o papo em dia com ass amigass ficava pensando quem seriam as pessoass que reserrvaram o melhorrr lugarrrr. Eis que surgem cinco rapazess interessantess e sentam na minha sonhada mesa. Todoss tinham dois pontoss em comum: barrba na cara e aliança no dedo (esquerrdo, diga-se de passagem). No início não me conforrmei que a melhorr mesa do barr estivesse reserrvada para homenss casadoss, mas quando perrcebi que um deless me olhava atentamente me essqueci completamente da mobília.

Carrminha não é desstruidora de laress, eu apenass aproveito as oportunidadess que a vida proporrciona.

Olharess trocadoss váriass vezess, eis que surrge o momento de ir ao banheiro. E assim do nada o rapazz da barrba com aliança no dedo estava ao meu lado todo se rindo. Converrsamoss rapidamente – o tempo da fila, pra dizerr a verrdade –, fui educada e muito simpática, no melhorr estilo Carrminha de serr.

reservadaOs olharess seguiram por muitoss minutoss, até que não sei como trocamoss um sinal e, quando vi, eu estava dentro do banheiro. Sim, dentro!!! Entre as poucas frasess que trocamoss, muito sobre ele fiquei sabendo; porém ele não soube nada sobre mim, apenass meu nome.

Até que resolvi perrguntar: e a camisinha? Respossta: não trouxe. Ah, meu bem, eu saí daquele banheiro maiss rápido do que entrei! Sai linda e loira, é claro! Como se nunca nada tivesse acontecido.

Nem preciso dizerr que minha negativa foi o que faltava para ele se apaixonarr de vezz por mim – claro que foi aquela paixão de barrr, que dura até a hora de pagarr a conta. Não, pessoass, não se preocupem: Carrminha não será amante do rapazz barrbudo e casado. Carminha pode serr louca – mass não é burra.

 

Foto: Stock.xchng

Equilíbrio

EquilibrioAcredito que hoje em dia boa parte das mulheres está satisfeita com sua condição profissional; o meu “obrigada” a todas que queimaram os sutiãs. Porém tudo nessa vida tem um preço, e encontrar o equilíbrio não é tarefa fácil.

De forma alguma acho que devemos voltar ao tempo da Amélia, mas sim precisamos aprender a dosar o lado profissional e o pessoal. Não, não sou aquela mulher que tem filhos, é casada e tem profissão. Sou a mulher que tem profissão, que estuda, que tem quase 35 anos, que é solteira e que talvez quem sabe um dia terá filhos. Por quase um ano me vi sozinha, sem sexo, sem beijo na boca, outras prioridades estavam em pauta, eu não saía de casa e não me via pagando por sexo. Mas agora voltei a sair, a paquerar, a ficar com os caras e até a trocar telefone – até esse ponto, tudo normal.

Porém quando chega a hora do convite para jantar, ou fazer um happy hour, junto com o encontro vem meu discurso de mulher bem-resolvida, que não precisa de homem para viver, nem para pagar as contas, que ama seu trabalho, que não se vê casando, que faz sexo por vontade, não por amor, que não acredita em príncipe encantado. Das duas uma: ou o cara nunca mais me procura, e ainda pensa em me deixar num ponto de táxi para voltar pra casa (mulheres bem resolvidas não precisam de carona), ou vai me ligar na próxima semana, pois afinal de contas esta mulher deve ser um general na cama (e eles adoram!!).

Ele ligou, o sexo rolou, mas digamos que eu estava carente e não fui assim um general. Não houve comentários, mas algo ficou no ar, da parte dele, é claro. Passaram-se os dias, até que tive uma crise de carência, daquelas de só querer um colinho. Mandei uma mensagem mais delicada, e lá se foi por terra tudo o que preguei durante as primeiras semanas.

E o cara some!

Concluo que me falta o equilíbrio, saber ser A profissional e A mulher, que devo deixar a delicadeza aparecer desde o primeiro encontro. Não vou abrir mão, é claro, das minhas convicções – mas posso aprender a fazer o papel da fêmea, pois no fundo todo homem precisa de uma “mulherzinha”.

Ciclo

Véspera dos 34, praticamente 35 para mim. Muitas coisas acontecendo e ao mesmo tempo nada mudando. Reclamando da vida com o Zé, ele tentou me acalmar dizendo que a vida é feita de ciclos, que se dividem em profissionais e pessoais.

A duvida é: quanto tempo dura cada ciclo? Pois o profissional está ali se concretizando, muitas coisas novas, desafiadoras, em um ano. Porém o pessoal estagnado há mais de dois anos. Zé, será que eu parei completamente um ciclo para iniciar o outro?

Bem provável, foi esta a conclusão a que chegamos. Ok, mas agora então avisa lá para o cosmos que eu quero o outro ciclo funcionando, estou precisando! Trabalhar é ótimo, é necessário e me realiza, mas ter um romance é tão necessário quanto qualquer outra coisa na vida.

O Zé me deu uma dica no mínimo interessante: quem sabe tu sai de casa então? Não para trabalhar, mas para paquerar.Mudei muito, o Zé sabe bem, talvez isto também tenha feito que o ciclo relacionamento tenha ficado tão longe da minha realidade. Não quero voltar a ser como era, quando qualquer um me servia, mas preciso voltar a ter no mínimo a emoção de conhecer e sair com alguém, nem que seja para no dia seguinte dizer: putz, que merda, nada a ver.

Portanto, com licença, que vou tomar um banho, escolher um bom modelito, ligar para as amigas e sair para mudar o ciclo.

O passado bate à porta

Estas redes sociais às vezes me incomodam um pouco, mas nesta semana tive uma surpresa agradável. Eis que surge assim do nada alguém que fez parte da minha adolescência e também da minha vida adulta. Alguém que fazia minhas pernas tremerem, que me fez ouvir a mesma música centena de vezes e que me fez chorar tanto que cheguei a pensar que ficaria sem lágrimas.

Chegou chegando, fazendo elogios, dizendo palavras mais quentes, falando que adoraria me ver mas não pode, e até falou de minha beleza: “Segues linda como eu me lembrava”. Detalhe: ele nunca disse que eu era linda, muito antes pelo contrário.

Enfim, já que a menina de 15 anos ficou láaaaa longe, entrei no jogo e comecei a brincar com as palavras também. Quando tudo ficou mais quente, ele soltou a frase: “Infelizmente eu não posso te ver. Tenho namorada e serei pai. Perdão”. Então foi minha vez de dar o troco: “Querido, namorada nunca foi problema pra ti, e quem não pode te ver sou eu, pois hoje moro bem longe”.

Daí a pessoa resolveu se apaixonar… o que não faz a distância! Horas de conversa no MSN, me achou em outra rede social, já viu e reviu todas as minhas fotos e agora diz que quer me visitar.

Não sou eu a maravilhosa, é a idade que bateu à porta dele – 40 anos não deve ser fácil para ninguém, menos ainda para os homens. Imagina como deve ser a fantasia da criatura, ter em seus braços (e em outras partes do corpo) aquela menina que hoje já é uma mulher, que já morreu de amores por ele.

Como ele mesmo disse, quando nos víamos saía faísca. Será que ainda há faísca ? Fiquei curiosa, mas ao mesmo tempo com medo de me decepcionar com um sexo meia boca, ou ter a certeza de que nunca o admirei… que era apenas uma paixonite de adolescente que eu insistia em chamar de amor.

 

Foto: Miguel Saavedra/Stock.xchng

 

Tirando o anel do dedo

Quando se tem mais de 30, tudo parece mais simples (salvo algumas exceções). A gente sabe o que quer, ou no mínimo o que não quer… Depois de alguns namorados, idas e vindas, e muitos, muitos ficantes, a gente sabe quando vale a pena dar cabo à relação.

Tirando-o-anel

Para mim, pelo menos, há um questionamento básico motivado por alguns sinais inegáveis. Com o resultado em mente, pega-se aquele punhado de respostas e joga-se no liquidificador. Quando o conteúdo estiver uniforme, coloca-se em duas tigelas e se põe à mesa. Quando um pede sal e o outro acrescenta açúcar, é tempo de terminar. Mesmo sabendo disso, infelizmente algumas mulheres de quinta insistem em tirar a prova dos nove. É o meu caso, adivinhe só… Eu acabo dando mais uma chance ao relacionamento – óbvio que, muitas vezes, a outra parte nem é comunicada. O fato é que eu preciso ter certeza.

Prefiro levar a situação um pouco mais e tirar de letra, em caso de rompimento, do que voltar atrás em uma decisão. Não me agrada o eterno vai-e-vém de alguns casais. Se não há parceria, cumplicidade e compreensão, não há porque persistir. Basta se imaginar sozinha. Se vier o desejo de ficar realmente só, não tenha dúvida: tire o anel do dedo com estilo. E não se arrependa jamais!

 

Gavin Spencer/Stock.xchng

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