Ciclos e amizades

Ciclos-e-amizadesNesta semana ouvi uma colega de vinte e poucos angustiada, pois está sem parceria para sair: todas as amigas estão namorando, inclusive ela! É que ela tem saudade de fazer festa, mas quaaaando sai é com o namorado e os amigos dele. E as amigas? Estão na mesma situação. Simplesmente não se veem mais, pode? Aí lembrei dos ciclos da vida e disse para ela não se preocupar: no mínimo, quando ela chegar aos 30, é bem possível que quase todas estarão descasando e querendo companhia para a night. Algumas um pouco antes, outras depois…

De qualquer forma, esse distanciamento é um absurdo. O importante é, enquanto isso, não deixar os vínculos se perderem. Essa coisa de namorar e abandonar as amigas já era. Gurias, vamos lá! Vamos lembrar quem somos, resguardar os nossos gostos, as coisas que costumamos fazer e as pessoas que escolhemos como amigas. Os homens vêm e vão, e uma amizade pode durar toda a vida. E, convenhamos, é ridículo deixarmos o que é nosso de lado em função deles. Pôxa, a vida não é só isso! E quando eles vão, o que fazemos? Na cara dura batemos na porta da amiga? Acho que então é melhor procurar novas amizades – a fazer esse papelão.

Tudo bem, sempre temos aquelas amigas que não perdemos o contato só porque nos procuram quando brigam com os parceiros ou descobrem uma traição: Ai, gurias, o que eu faço? Peraí, gente, vamos lembrar que amizade também é ‘na alegria e na tristeza’ – e não só para os momentos ruins, né? É muito fácil dizer não para as amigas quando se quer ficar o tempo todo do lado deles, mas por que nunca dizemos não para eles? Hoje não vai dar, noite das meninas! Dói? Pelo contrário, até faz bem para todo relacionamento ter esses momentos de independência, vida própria. Ou é o medo de sair e dar a chance dele também sair com os amigos? Putz, que insegurança, hein? Ou eles que têm ciúmes das saídas entre mulheres? Não fazemos nada de mais, só colocamos a conversa em dia… Realmente, não entendo isto. Se alguém puder explicar, agradeço!

 

Foto: Sanja Gjenero /Stock.xchng

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Exigente, eu?!

Exigente-euDia desses meu amigo Zé me disse: “Vocês mulheres de 30 (e poucos) estão ficando muito exigentes, assim vão acabar solteironas”.

Minha resposta imediata foi: “Exigente, não!”. Somente não nos contentamos com qualquer coisa. Se for para namorar um bonitinho e ordinário, um problemático ou um perdido na vida e pé rapado fico sozinha e feliz – já me bastam os meus problemas.

Nosso “debate” durou horas e meu amigo Zé me confessou que as mulheres de 20 (e poucos) têm sido a melhor escolha, afinal de contas elas não questionam, querem é ajudar. Para as de 20 o futuro são só flores e não há sapos, só príncipes.

Me lembro quando tinha 20 anos e adorava fazer o papel de psicóloga e também de secretária do ser amado, ajudando-o com todas suas dúvidas existenciais e problemas familiares – de quebra, ainda ajudava a organizar a casa e a agenda. Realmente não questionava nada, achava que com meu ombro amigo e poder de organização o “príncipe” ficaria cada vez melhor e viveríamos felizes para sempre.

Não me arrependo dos erros que cometi, só errando que se aprende. Enquanto o Zé segue colecionando as meninas de 20 (e poucos) – só esse ano ele já teve três “grandes amores” –, sigo aqui na minha solteirice, aberta a novas pessoas, mas sem me atirar pra qualquer coisa que apareça.

Não estou à procura do ser perfeito, todo mundo tem defeitos e problemas, o que não quero é um Zé da vida que precisa apenas receber sem querer dar nada de si. Uma relação sem parceria, sem troca, sem amizade, enfim, sem cumplicidade não me serve. Não acho que serei uma solteirona, aprendi a acreditar naquela máxima que diz: antes só do que mal acompanhada.

 

Foto: Josep Altarriba/Stock.xchng

Dar ou não dar?

Dar-ou-nao-darNa verdade, não sou a pessoa mais adequada para abordar este tema, pois nunca lutei comigo mesma para não transar de primeira. Sempre foi algo natural, e sim: nessa naturalidade das coisas, quase sempre acabei dando de primeira mesmo. Muitas mulheres, talvez até a maioria (vocês é que vão dizer), funcionam de outra forma e acham o que estou escrevendo um absurdo. Mas não vejo porque fazer o joguinho de faz de conta dos primeiros encontros (“Ai, não posso, não vai dar”), se a vontade é mesmo a de transar. Esse se-fazol é pura insegurança, pois estas mulheres acham que os caras não vão mais procurá-las se elas se entregarem na primeira vez.

Gente, se é para ser e o sexo for bom, rolar química entre os dois, o cara só não vai procurar depois se for muito machista. É, porque tem cara que pensa que se a mulher faz sexo na primeira noite não é “mulher para casar”. Fica imaginando com quantos ela já transou, e aí só vai usá-la para “lanchinho”. A esses carinhas, eu só posso dar uma dica: uma mulher que só transa depois do clássico quinto encontro pode ter dado para tantos ou mais caras do que uma mulher que trepa de início. Se a garota vive em função de arranjar um namorado, por exemplo, e não consegue facilmente, isto é bem possível. Assim como é bem provável que uma mulher “de primeira”, despreocupada com o assunto, conte nos dedos os carinhas com quem já fez sexo. Mas cá entre nós, não merecemos esses caras que herdaram do pai ou do avô a teoria de que existe “mulher para casar” e “mulher para transar”, né?

Só fazendo um adendo, também não podemos generalizar: óbvio que existem aquelas mulheres que não fazem sexo à primeira vista e não estão simplesmente cumprindo o joguinho. Para elas, tão natural como para mim é transar logo, é esperar um momento que julga mais adequado: é bom dar um tempinho para conhecer melhor o fulano e ver como ele se comporta em situações diversas antes do grand finale. E tem também o lado da vontade, que pode prorrogar o ato principal um pouco em prol de uma causa maior: o prazer da expectativa. Na outra ponta, posso afirmar que se engana quem pensa que este prazer é nulo entre as mulheres com o meu perfil. Pelo contrário: a expectativa sempre está presente. Afinal, somente depois é que vamos conhecer melhor o parceiro e seus segredos, além de descobrir como ele se porta em ocasiões diferentes.

PS.: Apesar de esta não ser uma questão que abale meus dias, resolvi registrar minha percepção “de quinta” depois de ler sobre o tema no Manual do Cafajeste. Recomendo, vale a pena conferir como eles encaram o assunto.

 

Foto: Philippe Ramakers/Stock.xchng

Histéricas?

HistericasHisteria: o termo tem origem no termo médico grego hysterikos, que se referia a uma suposta condição médica peculiar a mulheres, causada por perturbações no útero. (…) Na verdade, é uma neurose complexa caracterizada pela instabilidade emocional. Os conflitos interiores manifestam-se em sintomas físicos. (Da Wikipédia)

Eu nunca tinha pensado no conceito de “histeria”, até a minha psicóloga falar nisso. Até ali, “histérica” pra mim era aquela mulherzinha afetada, que vive fazendo cena – ou seja, o contrário do que sou. Eu nem imaginava que também era um pouco histérica!

Mesmo entendendo um pouquinho do conceito, continuei fazendo confusão. E passei a elaborar minha própria teoria, nada científica: a gente fica mais histérica depois dos 30.

Dia desses uma amiga me perguntou: “Afinal, o que os homens da nossa idade querem?”. Eu respondi: “Mulheres de 20”. Pode parecer um pouco antiquado ou machista, mas essa resposta tem sentido pra mim. Não é porque o nosso corpo não está mais tão inteiro. É porque a nossa cabeça ficou muito chata!

Sintomas da histeria dos 30: a gente fala, fala, fala (ou escreve, escreve, escreve). A gente fica com um humor horrível, que vai da euforia à depressão sem nem ser bipolar. A gente se leva a sério demais. A gente se apaixona muito, mas vira neurótica com detalhes que antes pouco importavam. A gente tá sempre preocupada com alguma coisa. A gente passa pensando e falando na gente mesma. A gente fica muito, muito mais crítica.

Duvida? É só começar a conviver com o pessoal mais novo. Os papos são outros, bem mais variados, bem menos “psicologizados”. Os assuntos engraçados estão mais em pauta, a vida séria fica para segundo plano. Vai dizer: não é bem mais divertido conviver com gente assim? Será que é por isso que muitas de nós também desenvolvem um certo gosto pelos meninos mais novos? Acho que sim. Pelo menos até a gente começar a achar tudo neles meio bobo.

Sim, eu me sinto mais madura, mais confiante, mais resolvida com 30. Mas também me sinto mais chata, mais crítica, mais pesada. Em todos os sentidos, é claro, que a balança não me deixa mentir!

Quer saber mais sobre histeria, a verdadeira? Clica aqui e aqui.

 

Foto: jepthe/Stock.xchng

Acorda Alice

By Gilka

Eu já sonhei em ser escritora. Queria publicar um livro, ficar famosa, dar entrevista no Jô. Até comecei a escrever um blog. Eu Marta Medeiros. Lembrava do Paulo Coelho – e eu já me sentia internacional. Entretanto nunca li um livro por semana, por mês, por ano, que fosse.

Depois eu quis fazer direito. Era uma ótima escolha. Pensei na federal, mas precisava de um ano de cursinho. A católica era muito cara. A luterana? Já estava falindo.

Almejei passar no concurso do Bando do Brasil. Ter uma graninha garantida e aposentadoria. Te puxa, mulher! E eu sequer comprei as apostilas. Foi quando descobri um planejamento mais estratégico: conseguir um cê-cê na prefeitura. Era só arrumar um quê-í.

Não tinha quê-í. Então eu resolvi fugir para o exterior. A Austrália estava na moda. Mas o book continuava na mesa and – has never been on the table! Até hoje não sei se é in, on ou at the table.

O que quer que seja, ou não funciona ou eu mudo de idéia antes. Ainda me lembro quando quis conquistar aquele gatinho que só tinha rendido umas ficadas inesquecíveis. Aquele das quais as outras eram todas malhadíssimas e não fumantes. Tentei uma daquelas dietas que se começa na segunda-feira. Só nos vegetais. A qual acabou na primeira sexta à meia-noite, com a abóbora virando um bauru da lancheria em meio a um laricão.

Falando em cigarro. Ai, ai, ai! Isto sempre foi plano vitalício. Acho nem cabe em uma existência só. Pastilhinha, chicletinho, emplastro, passei pro light, tô cortando, desisti. Fica para a próxima encarnação.

Esta angústia sempre me estrangulou. Tantos planos, tantas ideias que nunca saíram do chão. Será a insolvência fruto de vagabundagem? Moleza? Falta de recursos? Inferioridade? Megalomania? Suponho que seja medo. (Tirando o cigarro, é claro.) Somente medo. De gostar do que eu realmente gosto e achar o foco. Medo de não ter vergonha. De fazer alguma coisa única. Algo que combine comigo.

Medo que vem de brinde no mesmo pacote onde diz que deveríamos ser assim ou assado. Ou para não ser assim e não ser assado. Ser quase nada. Como alguém tentando torcer o pescoço para ler as instruções na parte de trás da própria embalagem.

Falando em invólucro, lembro da Vivienne Westwood, com quem divido a mesma opinião: temos que fazer somente aquilo que gostamos com total envolvimento. Segundo ela, ninguém vira estilista lendo revista de moda. Assim como eu nunca vou virar eu mesma enquanto não parar de seguir o coelho. (Não estou falando do Paulo, porra. É aquele coelho mesmo, Alice!)

 

Alice - A FREE Friday Download
Alice by Mary Bailey on Flickr

A bicicleta e a vida

A bicicleta e a vida 2Ganhei minha primeira bicicleta aos 7 anos. Usei as rodinhas por muito tempo, me sentia segura, fazia ótimas manobras. Quando fiquei maiorzinha retirei, ou melhor, retiraram uma das rodas, e as manobras ficaram mais radicais. Um dia, sem querer, me vi em cima de uma bicicleta sem nenhuma rodinha. Não tinha opção: ou andava ou queimava o filme com a turminha. Não tive muito tempo para pensar, quando percebi me empurraram e eu fui. Claro que caí, mas subi novamente e fui tentando, caindo e levantando até que parei de cair e segui pedalando bem contente. Isso foi há mais de vinte anos, mas a imagem da minha prima me empurrando está gravada na memória.

Agora, imagina se na vida, em certos momentos, para tomarmos certas decisões ou para iniciar projetos, tivéssemos a oportunidade de usar “rodinhas”. Usaríamos no início, para ter segurança, para não cair, e com o tempo retiraríamos uma “rodinha” para nos aprimorarmos, para nos acostumarmos com a ideia, para irmos criando mais e mais confiança.

Sei que para certas coisas nessa vida a gente até tem como usar “rodinhas”, mas foram poucas as vezes em que pude aproveitá-las. Tudo que vivi até hoje foi assim no empurrão, quando vi estava lá fazendo, vivendo, arrumando a mala e indo. Talvez seja por isso que não sofro de véspera: se tem de fazer, se tem de viver, ok, vamos lá, empurra aí que eu vou.

Pode parecer loucura, imaturidade, irresponsabilidade até, mas dessa forma é que encontro coragem, rapidez e frieza, em certas situações, para resolver problemas, para iniciar ou finalizar coisas.

As “rodinhas” somente aparecem quando minhas decisões envolvem/atingem terceiros; mas se for só sobre mim, somente para mim, vou no embalo da bici. Se puder tiro até os pés dos pedais, pra ver até onde aquele empurrão vai me levar. Dependendo, ou desço da bicicleta e procuro outra, ou pedalo bem forte pra chegar aonde quero.

E que venha o próximo empurrão.

A gente só fala neles

A-gente-so-fala-nelesAi, tenho uma pra te contar!…
Quando uma amiga chega pra ti com essa história, batata, 90% de chance de ser algo que envolve um certo menino. Qualquer menino. Na verdade, entre mulheres, a gente só fala em homem.

O quê?!
Gritarão estupefatas as descoladas intelectuais analisadas de plantão. É verdade, sim, meninas. Não neguem, avaliem. Eu, descolada, intelectual e analisada, assumo. A maior parte dos papos com as amigas gira em torno deles. Ou, pelo menos, a parte mais emocionante dos papos.

Ai, guria, eu amo esse cara!
Ele não é mais o mesmo…
Tu acha que eu devo ligar?
Não importa se a gente conheceu ele ontem – ou se já virou marido e pai dos nossos filhos. Não importa se é amiga do trabalho, da faculdade, do bar. Quanto mais íntima a amiga, mais temos a falar sobre eles.

 

Eu busco algo diferente da vida.
Eu gosto da rotina.
Eu quero ficar sozinha por um tempo.

Às vezes o assunto é mais amplo, mais de fundo. É a gente falando da gente mesma; mas, veja bem, mesmo não mencionados, eles estão ali. Acasalar e ter filhos faz parte do imaginário feminino; a vida, em si, passa a ter significado quando cumprimos nossa missão de mulher e mãe – ou quando abdicamos dela completamente. Falar dos meninos, ou de sua ausência, é dizer sobre a própria vida, quase o sentido dela.

Ah, claro, a gente também conversa sobre política, futebol, trabalho, viagens, música, cinema e uma infinidade de assuntos interessantes, que todas as minhas amigas são inteligentes e bem informadas. Mas só nos intervalos – ou quando “eles” estão presentes. É ou não é? Fala aí.

 

Foto: Jack Horst/Stock.xchng

Oh, mulher infiel…

Meninas, não sei quanto a vocês, mas sempre tive muuuuita dificuldade em ser fiel – independentemente do grau de paixão que nutri pelos meus parceiros. Não sei se tem a ver com a idade ou se algumas de nós realmente nascem com este probleminha. No meu caso, tenho aproveitado a idade para exercitar o autocontrole.

Desde a primeira grande paixão identifiquei este “distúrbio”. Ele morava em outra cidade e eu tinha 15 anos. Usei os dias em que ficávamos sem nos ver como desculpa para me permitir conhecer novos prazeres. Foram quatro anos de relacionamento e quarenta traições. Cheguei até a ter um namorado concomitante. E, pasmem, eu amava aquele homem (o primeiro). Mas também amava o novo mundo que se apresentava para mim: as festinhas pré-vestibular, as noitadas com vizinhos, depois a faculdade e toda a sorte de experiências que ela traz embutida.

Por ter a consciência de que aquele meu primeiro amor não merecia os trocentos chifres em sua cabeça, decidi terminar o namoro. Como ele não aceitou aquele “repentino” desfecho, me vi obrigada a contar toda a verdade. A partir daí, passei a adotar o bordão “eu faço, mas eu conto”. E foi um desastre. Perdi amores em potencial e fiz alguns homens se humilharem, aceitando as minhas confissões de arrependimento, que se repetiam invariavelmente. Achava eu que contar tudo era a maior prova de confiança que eu poderia dar a um homem. Afinal, eu jamais faltaria com a verdade. Poderia existir garantia maior?

Oh-mulher-infielPaguei um alto preço por ceder às tentações; mas resistir às investidas de outro homem seria uma prova de fidelidade? Seria fiel ao namorado e trairia meus próprios sentimentos? Passei então a procurar justificativas para trair, sendo fiel aos meus desejos. Se eu descobria uma mentira qualquer do lado de lá, já me sentia traída e, portanto, autorizada a trair, mesmo que de outra maneira. Era um saco sem fundo.

Passados alguns anos, comecei a entender que não há porque cultivar um relacionamento com alguém se há a necessidade de envolver terceiros. Então é melhor ficar sozinha. Com esta nova convicção em mente, finalmente namorei um carinha sem trair. Qual não foi a minha surpresa quando justamente aí a situação se inverteu: fui traída (não que isto não tenha acontecido antes – provavelmente só não fiquei sabendo). Mas é que vocês não estão entendendo… fui absurdamente traída! Nos nove meses que ficamos juntos, ele deve ter traçado, pelos meus cálculos, umas 90 (e algumas dentro do meu próprio apartamento, um horror). OK, “castigo por todas as relações anteriores” e bola para frente!

Depois deste, voltei a tropeçar e a derrapar em alguns momentos, mas nunca como antes. Hoje continuo tentando ser fiel e tenho sido bem-sucedida, pois permaneço convicta: se é para trair, não há porque ficar junto. Então, quando surge o momento de trair é só terminar a relação e pronto: estamos livres de qualquer culpa.

 

Foto: Diego Zarges/Stock.xchng

Vivo apaixonada

Vivo-apaixonadaÉ isso mesmo, sou assim, vivo apaixonada, desde que me conheço por gente sempre tive alguma paixão na área.

Já houve épocas em que a paixão servia pra me fazer sofrer e eu gostava; então veio a terapia, e me fez ver que paixão não é sinônimo de sofrimento. Agora que aprendi como devo tratar a “doença” paixão, levo na boa.

Minhas paixões têm data de validade, algumas duram meses, outras semanas. Sim, são completamente descartáveis, porque não?

Vivo com tanto entusiasmo aquele momento paixonite aguda que uso toda minha eloquência para descrever o dito cujo e sua personalidade, sua aparência. Aí passam-se algumas semanas, volto a encontrar as mesmas amigas, que me perguntam: E então?! Como está o fulano?! Quem? Aaaah! Não falo com ele já faz um tempo, mas conheci um carinha….

E assim segue a vida, com início e fim nas paixões.

Elas não surgem do nada, não olho o cara e digo: Pronto! Tô apaixonada. Tem de ter no mínimo uma boa conversa, quem sabe um beijo para a paixão começar, e se torna mais animada ainda quando há reciprocidade. Às vezes o dito cujo não fica nem sabendo, tudo bem, não tem importância, vivo ela assim mesmo, nestes tempos de Orkut e Facebook fica fácil contemplar alguém a distância.

Estes tempos fiquei sem nenhuma paixão, me senti estranha no começo, depois acostumei com a ideia, mas não demorou muito. Fui num bar com uma amiga, conheci um carinha e lá estava eu apaixonada; passaram-se alguns meses, a distância se fez necessária por motivos alheios às nossas vontades, tudo esfriou. Daí já pintou outro bar, outro carinha e outra paixão…

Talvez o nome pra isso não seja paixão (atração muito viva que se sente por alguma coisa) e sim arrebatamento (estado de espírito caracterizado pela alegria, pela admiração). Embora perca um pouco do encanto, quando a palavra é mais fácil de entender, as atitudes também são melhor compreendidas.

 

Imagem: Andrew C./Stock.xchng

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