Dar ou não dar?

Dar-ou-nao-darNa verdade, não sou a pessoa mais adequada para abordar este tema, pois nunca lutei comigo mesma para não transar de primeira. Sempre foi algo natural, e sim: nessa naturalidade das coisas, quase sempre acabei dando de primeira mesmo. Muitas mulheres, talvez até a maioria (vocês é que vão dizer), funcionam de outra forma e acham o que estou escrevendo um absurdo. Mas não vejo porque fazer o joguinho de faz de conta dos primeiros encontros (“Ai, não posso, não vai dar”), se a vontade é mesmo a de transar. Esse se-fazol é pura insegurança, pois estas mulheres acham que os caras não vão mais procurá-las se elas se entregarem na primeira vez.

Gente, se é para ser e o sexo for bom, rolar química entre os dois, o cara só não vai procurar depois se for muito machista. É, porque tem cara que pensa que se a mulher faz sexo na primeira noite não é “mulher para casar”. Fica imaginando com quantos ela já transou, e aí só vai usá-la para “lanchinho”. A esses carinhas, eu só posso dar uma dica: uma mulher que só transa depois do clássico quinto encontro pode ter dado para tantos ou mais caras do que uma mulher que trepa de início. Se a garota vive em função de arranjar um namorado, por exemplo, e não consegue facilmente, isto é bem possível. Assim como é bem provável que uma mulher “de primeira”, despreocupada com o assunto, conte nos dedos os carinhas com quem já fez sexo. Mas cá entre nós, não merecemos esses caras que herdaram do pai ou do avô a teoria de que existe “mulher para casar” e “mulher para transar”, né?

Só fazendo um adendo, também não podemos generalizar: óbvio que existem aquelas mulheres que não fazem sexo à primeira vista e não estão simplesmente cumprindo o joguinho. Para elas, tão natural como para mim é transar logo, é esperar um momento que julga mais adequado: é bom dar um tempinho para conhecer melhor o fulano e ver como ele se comporta em situações diversas antes do grand finale. E tem também o lado da vontade, que pode prorrogar o ato principal um pouco em prol de uma causa maior: o prazer da expectativa. Na outra ponta, posso afirmar que se engana quem pensa que este prazer é nulo entre as mulheres com o meu perfil. Pelo contrário: a expectativa sempre está presente. Afinal, somente depois é que vamos conhecer melhor o parceiro e seus segredos, além de descobrir como ele se porta em ocasiões diferentes.

PS.: Apesar de esta não ser uma questão que abale meus dias, resolvi registrar minha percepção “de quinta” depois de ler sobre o tema no Manual do Cafajeste. Recomendo, vale a pena conferir como eles encaram o assunto.

 

Foto: Philippe Ramakers/Stock.xchng

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Mulher de 30, “mulher mais velha”

Mulher-de-30Lembro de quando eu tinha 20 anos: os meninos que ficavam com alguma mulher de 30 se sentiam o máximo… “Bah, cara… Fiquei com uma mulher mais velha”. E lembro do que aquilo representava para eles: experience – ou “sexperience”, como dizem nossos conterrâneos da Cachorro Grande. Nós, mulheres então de 20, ficávamos imaginando: “Ai, que raiva, o que elas têm que nós não temos?” ou “Como eu queria saber todos os segredos que elas já sabem para enlouquecer um homem”.

Não parece ridículo? O tempo passa e na prática não sentimos muitas mudanças. Sabemos que realmente a experiência faz uma diferença – mas mais para nós mesmas do que para eles, de fato. Nós já conhecemos como as coisas funcionam e qual a melhor maneira de conduzir determinadas situações – e relações. Mas convenhamos: sexo bom e experiência não necessariamente andam juntos. Não é porque trepamos mais que trepamos melhor ou sabemos mais. Meninos, sinto muito: não nos usem só para isto. Sexo é algo natural e depende de cada pessoa. Você pode ter uma experiência sexual maravilhosa com uma mulher de 30, como de 20 ou de 40, 50. E o contrário também, hein?

O pior disto tudo é que é inevitável pensar, cada vez que fico com alguém mais novo, nas expectativas desta pessoa e no quanto esse cara só está ali para conferir a lenda. É horrível, eu sei, mas é a verdade. E ao mesmo tempo não consigo deixar de ficar com esses “caras mais novos”. Talvez, inconscientemente, eu também cultue um estereótipo. Afinal, eles parecem mais vigorosos, cheios de energia, incansáveis…

 

Foto: Dark Water/Stock.xchng

O Ex Ideal

[zilla_alert style=”white”] By Gilka [/zilla_alert]

Chamá-lo-emos de “ez” – para facilitar o plural “ezes”, já que podem ser muitos.

Diz o velho ditado que esposa se escolhe olhando para a sogra. Contrapondo, nós mulheres (de quinta) deveríamos selecionar nossos homens visualizando o dito cujo já como ez. Ou é a fulaninha do escritório, ou a grana curta. O fim tem sempre seu começo. Relacionamento sempre acaba. Na metade dos casos, a justificativa passa perto do “tu merece alguém melhor do que eu”. Na outra metade, do “sei lá”, seguido da ingestão acidental da língua sem sufocamento do falante. (Ez-falante, daquele momento em diante.)

Como li aqui neste blog, um dia o passado pode sentar na mesa ao lado. Puxar conversa, e voltar à pauta como “ez” em todo o seu esplendor. Eu mesma cultivo vários. Muitos. Não me falta cinema, jantinha, ême-pê-três da hora, carona ou massagem.

Depois do terceiro ez, a gente vicia. Alucina. Quer um ez novo a cada estação. Vê o mundo quase pelo avesso. Ou simplesmente, pelo ângulo que sempre deveria ter visto o bicho homem. Desta forma, também mantenho o risco de levar um outro fora a níveis muito baixos. (Vamos combinar – fora de ez não conta.)

Meu ez ideal é o ez-sexual. Ele não se importa em prestar favores. Até abusa um pouquinho. Passa a fazer coisas que não fazia antes, e que tampouco faz com a “da vez”. Curto também um ez-emocional. Esse geralmente te trocou por outra, se desculpou e virou amigo divã. Íntimo. Mais cedo ou mais tarde, ele acaba “ezando” de umazinha qualquer. Então vem a desforra.

A ez-desforra
O ez bate à tua porta pedindo colo com uma garrafa de vinho embaixo do braço. Prontamente te sentirás única como na primeira trepada (com esse ez, não com o primeiro ez absoluto). Darás o colo, cafuné e o escambau. Tudo sem sexo. Afinal, ez é coisa séria. Quando ele estiver chorando, desarmado, com a cara nas tuas coxas – tu meditarás pausadamente em profundo silêncio: filho da puta (vírgula) viu só como é bom ser chutado?

É por esses entre outros tantos motivos, que eu prego: viver de ezes é viável, saudável e econômico. Os abraços são mais sinceros e as brigas quase inexistentes. Por tabela, escapamos de prestar contas se a relação é aberta e de enfrentar os narizes torcidos da hipocrisia para as coisas da modernidade. Não é nada, gente. Ele é só meu ez, ficamos (amigos).

E para ti? Como é o ez ideal? Desabafos serão bem vindos na janelinha de comentários aqui debaixo. Alívio garantido ou o seu ez de volta.

DummiesDummies by Mira Shemeikka on Flickr

Que bunda

[zilla_alert style=”white”] By Carminha [/zilla_alert]

Já fiz muita fesssta por esse mundo a fora, são tantasss coisasss que já me aconteceram, as boas sempre recorrrdo, as não tão boas assim deixo guardadass bem lá no fundo do pensamento, quase no esquecimento.

Houve uma vez em que eu estava em um desses lugares em que a vida nos leva aparentemente sem motivo e no meio da fesssta a gente dessscobre o porquê. Estava plena e absoluta, bebendo de graça (tem coisa melhorrr do que isso na vida, gente?!!!), porque pessoasss que se prezam têm amigosss trabalhando atrás do balcão do barrr.
Eis que surge na porta do local um cara, nossos olharesss se encontraram imediatamente!

Uiuiui, pensei eu: já me ganhou o danado. E não é que nem precisei fazerrr força para conhecê-lo?!! Por essas coisasss que só o destino explica, e olhe lá, ele era amigo de váriossss amigos meus.

Que-bundaTodo mundo se cumprimentando, aquela coisa toda, a língua que se falava naquele momento era o italiano (sim, meu bem, Carminha é interrrnacional, não te contaram?!!). Eu, no meu mais lindo italiano, fui avisando: non parlo italiano. Então ele quis saber em que língua podíamos conversar, e chegamosss à conclusão que inglês era o que nos unia e dali a converrrsa deslanchou, mas eisss que a língua materna do rapaz (que não era tão rapaz assim) era o espanhol, ai, que tudo!!!!

Cervejasss mil, conversasss no melhorrr estilo Fórum Social Mundial, três línguas sendo faladas, no mínimo, em um grupo de no máximo sete pessoas, e eis que as trocasss de olharesss começaram, mãos bobasss se tocaram.

E, quando perrrcebi, estava no banheiro com o espanhol; beijos, amassos, mão na bunda (ai, que bunda, e olha que nem sou tão chegada, mas a dele era especial), muitasss coisas ao pé do ouvido; em espanhol, claro, porque soam muito maisss calientes.

Saindo do banheiro perrrcebi que ele tomou uma certa distância de mim, mas dez minutos depoisss estava eu sendo “levada” ao banheiro novamente. Resolvi perguntarrr o que essstava acontecendo realmente; resultado: o moço não era assim, digamos, solteiro. Quer saber?! Não dei a mínima, pois eu tambem não era!

Depois daquele dia nos encontramos mais algumasss vezess, no mesmo local, com as mesmas pessoasss, todas sabendo o que havia entre nósss, mas ninguém tocava no assunto, amigosss são pra essasss coisas, não é messsmo?!

De tudo isso me restou o nome dele (que nunca esquecerei), um número de telefone (que nunca liguei) e a lembrança daquela bunda. Ai, que bunda!

 

Foto: Ivaylo Georgiev/Stock.xchng

Eu queria que fosse assim lá em casa

Existem várias formas de perdemos o controle de nossos atos: discussões sobre política e futebol, grandes bebedeiras, uso de psicotrópicos, clube de mulheres… já perdi o controle de todas estas formas, e com certeza a última foi uma das maneiras mais divertidas.

Nunca pensei em ir a um local desses, até que uma amiga resolveu fazer sua despedida de solteira. Então vamos, né?! Amiga é pra essas coisas.

Local sinistro, gente estranha, tudo meio escuro e uma musiquinha complicada, todas as meninas meio sem jeito, fazendo cara de paisagem, tomando sua cervejinha de canto, algumas só no refrigerante. A grande desculpa para estar ali era a grande amizade que nutriam pela noiva. Algumas disseram inclusive que não gostavam dessas coisas, homens dançando, se esfregando, que horror!

Eu-queria-que-fosse-assimEis que a luz muda e a música também. Uma voz no microfone anuncia a entrada dos “rapazes”. Lá vem o índio, o bombeiro, o cowboy, o africano, o mago, uns outros tantos e o noivo (que obviamente não era o noivo da minha amiga). Começaram dançando lá de longe, tão tímidos quanto nós. Curiosamente havia também um grupo de homens, sentados num canto, e várias meninas, obviamente fãs de carteirinha do local e dos “rapazes” em questão. E eu me perguntando: tá, e aí? Vão ficar longe assim? Acho que eles me ouviram, porque começaram a descer do palco um a um, fazendo sua “performance” e chegando cada vez mais perto da gente.

Daí sim a loucura começou: as meninas que antes estavam lá calmas e constrangidas começaram a perder a consciência, gritando, chamando os “rapazes”, escolhendo seu preferido, e eu só querendo saber se podia passar a mão neles. Ninguém prestava atenção nos rostos; nos corpos, sim, que estavam ali expostos querendo, pedindo um carinho. Foi só uma botar a mão para todas as outras copiarem o gesto. Eu que não sou boba nem nada não perdi tempo, passei a mão em todos, só faltei botar dinheiro na cueca. E vi que até as mais pudicas se esbaldaram nos corpinhos; as que “não gostavam” mudaram de ideia rapidinho. O conteúdo na cueca e a melhor barriguinha eram o assunto do grupo, quando a gente conseguia parar de gritar para trocar alguma informação.

Depois de muita dança, os rapazes deram um tempo. Nesse intervalo, surge uma mulher dançando totalmente nua (então entendi a presença do público masculino no local). Depois voltam ao recinto os “rapazes”, desta vez escolhendo meninas para irem ao palco. E não é que me chamaram?! Não pensei duas vezes e fui com tudo: descobri que lá no palco tudo ficava assim, digamos, mais exposto, mas tudo com muito respeito. O “meu rapaz” perguntou se eu me importaria em ver tudo mais de perto…me diverti horrores.

Depois de tudo terminado eles ficaram por ali, conversando como quem não quer nada, e descobri que, se a gente pagar, pode dar uma esticadinha na noite. Nessa hora segui só na minha cerveja. Ah, não: pagar pra transar definitivamente não é do meu estilo.

Ótima a experiência de ver como funciona esse mundo da libido assim escancarada, ver que todos têm fantasias. Não tenho tesão por bombeiros, magos ou coisa que o valha; mas gostaria de ver o meu homem, marido, namorado, ficante, seja qual for, ali dançando pra mim, sendo sensual pra mim. Se já aproveitei horrores pagando o ingresso, imagina se for de graça?

 

Foto: Mateusz Atroszko/Stock.xchng

Só sexo

A melhor indicação para acabar com a ressaca de um amor perdido? Vide o título. Para mim, pelo menos, foi um santo remédio. Não tomei de imediato, nem poderia… Ainda estava tomada pela náusea, lembrando os pesados detalhes do relacionamento interrompido; sem falar na cabeça girando, girando, girando… Tudo bem, não demorou muito: depois de um mês e meio, não tive dúvida. Um e-mailzinho aqui, MSN ali, atualização de telefones acolá e logo, logo, lá estávamos nós. Caso novo ou antigo?Pouco importa. O que importa mesmo é que nos encontramos com um único motivo: sexo. E confesso que não há nada melhor para acabar com as últimas lembranças do amor antigo do que este sexo descompromissado, claro, transparente.

Quando é só sexo, as vantagens são muitas. Podemos atalhar caminhos, indo direto ao ponto, sem rodeios. Não nos preocupamos com os quilinhos a mais oriundos de um casamento frustrado ou de longas noites regadas a cerveja e solidão pós-rompimento. E tanto faz a performance que “entrega” o período praticamente inativo ou o vício de quem estava acostumado a um só corpo.

Quando o propósito é não ter propósitos afetivos, deixamos as estratégias de lado e não cuidamos o que vamos dizer – e, na verdade, nem dizemos muito. Para quê? Vamos logo ao que interessa: será que a libido continua a mesma? Primeiro, podemos nos permitir umas cervejinhas para relaxar… Também não vamos dispensar uma musiquinha a meia luz. O ambiente, afinal, é fundamental em qualquer ocasião. O passo seguinte é reaprender a interagir, a entrar no compasso certo, a lidar com os movimentos não previsíveis. Carinho, aqui, não pode ter conotação não sexual. Inexistem palavras mentirosas e desnecessárias. As ilusões passam longe.

Uma cama, dois corpos, uma camisinha. Duas. Três… Quatro, se possível! Despidos não só de roupas, mas de pudores. De um jeito natural. Cru, como o desejo que paira no ar e que se instala na carne. Só. E sós. Os dois na mesma sintonia, mas cada um com o seu desejo.

Assim passamos o período entressafra. O segredo, no entanto, é não se apaixonar. Um exercício para manter a razão em dia.

 

Foto: Paige Foster/Stock.xchng

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