Alguém conhece o bar do Marinho?

Visualiza a cena: trêbada, carente e apaixonadíssima por um cara que era a cara do Rodrigo Santoro (OK, ele foi uma das minhas melhores aquisições – fala a colecionadora de homens!). Namoramos três meses.

Quando nos conhecemos ele tinha uma namorada que estava de viagem marcada para a Alemanha. Tivemos que trabalhar juntos, e eu disse (brincando):

Alguem conhece 2– Se você não tivesse namorada, eu dava em cima de você!

Ele respondeu:

– Acontece que ela não é a mulher da minha vida.

No dia seguinte em que a namorada embarcou, ele me convidou para tomar um chimas na Redenção. De lá fomos pro bar do Marinho, onde algo começou… muitas cachaças e eu coloquei a mão dentro da calça dele! Ele ficou assustado e amou, lembro que me disse algo do tipo “você é a mulher da minha vida” (o que não faz o tesão!).

…foi uma história romântica, sexual e explosiva que começou no Marinho e lá terminou algum tempo depois… Mas enquanto durou me reascendeu vários pedaços…

O teto do quarto dele era vermelho, a gente dançava balé na cozinha, eu usava suas cuecas e me achava o máximo! Escalávamos o cume do Itacolumi – ou algo do gênero! A maioria dos meus poemas eróticos foram escritos naquele ano, em função daquele Apolo magro e quase inteligente. Mas eis que o encanto acabou, ele queria sair com os amigos e aquele intenso amor de Felícia deixou de ser interessante. Ele não queria mais fazer Capelletti pra mim e tinha outros interesses… foi me deixando de lado. Eu surtei. E surtei mesmo! Me sentia carente, corria atrás dele – nada de novo em se tratando de mim, mas OK (dizem que com o tempo a gente muda, assim espero!).

O fato é que eu estava correndo atrás dele e, como ele me ignorava, disse pra ele:

– Eu te amo mesmo tu gozando em cinco minutos! Mas te amo tanto que tô disposta até a mudar de país pra conseguir viver longe de ti!

OK, intensificado ao quadrado. Uma declaração de amor ao lado de uma declaração de horror! Falei isso na frente dos amigos dele e fui morar fora alguns meses depois. Ele ficou dois anos sem falar comigo.

E aquela namorada que tinha ido pra Alemanha? Depois de tudo o que rolou entre a gente, quando ela chegou da Alemanha, ele foi buscá-la no aeroporto (e eu imagino que ele tenha dito que sim, que ela era a mulher da vida dele. Morna que nem ele!).

De volta ao mercado

De-volta-ao-mercadoEste mês decidi que voltarei a olhar para os lados, me permitir a conhecer pessoas, a errar, errar e errar para então sei lá quando acertar. Estive parada, bem parada, neste mundinho chamado relacionamentos. O que andei praticando, e muito, foram aquelas conquistas de loucura de festa, onde o álcool, a música e a galera nos ajudam a ficar com o primeiro que aparece na frente. Mas disto eu já cansei, ja sei de cor como funciona – já estou até dando cursos e palestras a respeito.

Cansei de ficar com o cara, anotar o telefone (não ligar, é claro) e, quando recebia a ligação, no visor aparecia: “Fulano, não atender”. Por que esta revolta? Este comportamento? Porque meu coração estava fechado para o amor. Foi exatamente esta frase que usei para explicar às amigas minha situação naquela época.

Passados alguns anos, cansei de “louquear” por aí. Estou de volta ao mercado, ao mercado do amor, digamos assim. Não saio por aí a procura de, mas agora pelo menos olho para os lados e me permito ser olhada e, se alguém chega perto, sou gentil e converso – aliás, isto eu sempre fiz, mas acredito que carregava uma placa dizendo “Não estou para romance”.

Agora mudei, estou sem placa nenhuma, tenho até um terno sorriso nos lábios. Não foi do dia para a noite que decidi isto, analisei vários fatores e a conclusão é: no momento não quero namorar, mas quero romance, quero alguém que me ligue e eu atenda com vontade, não só com tesão. Porque tesão a gente pode ter por qualquer louco, mas ter vontade da companhia de alguém já é outra coisa.

Já estou preparada para errar, para ligar e não ser atendida, para atender quando me ligarem e até para trocar uma boa cerveja no bar do momento por uma sessão de cinema.

 

Foto: Peter Miller/Stock.xchng

Romance carioca: 1,84 de altura e três frases de honestidade

Romance-cariocaEstava no mar de Ipanema, quando ele perguntou:

– Você é gaúcha?

Respondi que sim. Ele disse que adora o jeito que a gente fala, já tinha estado no sul, em Curitiba. Era longe e fazia frio. Eu disse que Porto Alegre ficava mais longe e fazia mais frio. Conversamos quatro horas e nos beijamos. Saímos da água e jantamos. Ele era educado, bonito: um príncipe marítimo. Eu não tinha feito esforço nenhum, havia sido encontrada dentro d’água! Mas eis que a primeira frase aconteceu:

– Então, gata, adorei conhecer você e quero seu telefone. “Acontece” que amanhã tá vindo uma mineira ficar comigo, isso está agendado há um mês, antes de eu conhecer você. Vou passar o final de semana com ela, mas ligo pra você depois porque quero te ver.

O príncipe derreteu! Eu disse que dava meu telefone, mas não ia pegar o dele. Se quisesse, que me ligasse! Passados três dias, toca o telefone:

– Oi, gata. Acabei de deixar a mineira na rodoviária e quero ver você!

Eu enrolei, disse que não podia. Como ele insistiu, fomos a uma festa dias depois. Ele parecia uma centopeia. Não sei de onde saía tanta mão! Eu tava resistindo, até que pensei… Vou embora em duas semanas, mereço um pouquinho de diversão! E que diversão! Era pura eletricidade!

Continuamos saindo sem compromisso. Ele tinha terminado um relacionamento, tava só curtindo, por isso a história da mineira. Eu estava lá a trabalho e numa situação parecida. Não tinha cabeça pra romance. Mas me acostumei a dormir na casa dele no final de semana. Jantamos em Copacabana, tomamos banho no Arpoador às duas da manhã.

Por motivos de trabalho, trocaram meu voo e eu fiquei mais três semanas. Foi quando a segunda frase veio à tona:

– Então, gata… você foi ficando, eu saindo com você, porque adoro sair com você… Mas como disse, não estou pra compromisso. E na próxima semana, vem uma baiana… Isso tá agendado…

O mesmo papinho. Fiquei tão pasma que decidi que não ia mais sair com o mané. Ele insistiu. Eu não resisti. Na véspera de a baiana chegar, dei uma surra no cara que o máximo que ele conseguiu fazer com ela foi dar beijinhos. Em outras palavras, o churrasco ganhou do acarajé.

Seguimos saindo. Acordávamos e almoçávamos salada czar com batata rostie, tomávamos milk shake em copo com dois canudinhos, namorávamos na Lagoa Rodrigo de Freitas, vimos o sol nascer no Leme. Ele era lindo, gostoso e me deixava com tesão só em sorrir!

E mais uma vez eu caí da cama no meu sonho. No último final de semana na Cidade Maravilhosa, ele diz:

– Vou fazer tudo o que você quiser: sábado e domingo sou todo seu.

– Mas e sexta à noite? – fui inocente em perguntar.

– Sexta à noite eu tenho que encontrar com uma canadense que veio me ver, mas como toda semana eu tô saindo com você…

Ele jantou com a canadense e me ligou: fomos a uma festa e, na volta, ele me disse:

– Tenho a impressão de que quem está voltando pra casa sou eu, porque você deixou minha vida de outra cor, parece que era eu que não tava em casa. Foi tudo diferente. Eu fazendo umas sacanagens, pensando que você ia parar de sair comigo e você aceitando esse meu momento SEM VERRRGONHA (os “erres” são por causa do sotaque), e eu gostando cada vez mais de você…

Choramos, transamos, tomamos banho e ele me levou no Cristo Redentor. E pra minha surpresa, quando voltei pra casa, ao ver nossas fotos, eu não me reconhecia, tava tão linda, tão diferente, era tão “outra pessoa”. Não sei dizer se fui uma idiota ou uma corajosa, não sei como terminar essa história. A única verdade é que ele deixou o Rio mais lindo com a sua doce e honesta companhia.

 

Foto: Victor Santos/Stock.xchng

O “de sempre”

Certa vez, reclamando da minha solterice, uma amiga lembrou que nunca estou sozinha: sempre tenho o “de sempre” para dar uma saidinha. O “de sempre” é aquele que está ali para a hora que precisamos e que nos serve para dar carinho e prazer, basicamente. Já tive um “de sempre” que durou nove anos. Sim: nove! Fui namorada, depois amante, depois ficante, ele voltou a ser meu amante e depois nos tornamos ficantes novamente. Tudo assim, bem tranquilo.

Tive um outro “de sempre” que foi um caso ardente e durou alguns meses. Era tão intenso que eu transpirava só de vê-lo. Todos os nossos amigos sabiam da história, mas a gente nunca se tocava publicamente, apesar de estar sempre perto um do outro. Uma coisa de pele, de química. Já experimentei também o “de sempre” virtual. Depois virou carnal. Dias juntos se comendo, conversando, discutindo, mas nada era sério. Não havia regras nem compromisso. Tive ainda o “de sempre” semanal: uma vez por semana estava lá jantando fora, curtindo um motel, horas de prazer e ótima conversa.

E como tudo nesta vida tem seu lado bom e ruim, o “de sempre” é somente uma pessoa que ronda a nossa vida, mas não faz parte dela. Não pode haver cobrança de nenhuma das partes e normalmente só os bons momentos são compartilhados. Para alguns, podemos contar nossos problemas e angústias e podemos ser boas ouvintes também, mas geralmente nunca passa disto.

Para quem não tem tempo nem para si, um “de sempre” vale muito a pena. Ficamos com a parte boa do relacionamento, e na manhã seguinte já estamos de volta à nossa vida de solteira, com nosso trabalho e a nossa própria companhia.

O-de-sempre

Foto: Galeria fotografii, Projekty Logo, Grafika/Stock.xchng

Quero tudo

[zilla_alert style=”white”] By Laïla [/zilla_alert]

Quero-tudoAs atitudes e decisões da tua vida não me dizem respeito e jamais estarão sob minha responsabilidade, pois não estão diretamente relacionadas comigo. Minhas iniciativas ocorrem em cima de fatos, não de suposições ou negociatas, tipo: se eu fizer isso, tu fazes aquilo. Cresce, amadurece, faz uma avaliação do que realmente é importante para ti, mas não tenta me envolver em condicionais.Eu sei o que quero para mim: um homem, não um estrategista. Preciso de um cara que seja cavalheiro, amável, sincero, fiel e excitante. Ainda desejo, como a maioria das mulheres, um ser másculo, que me faça estremecer com as atitudes, com as palavras e com o vigor sexual que toda fêmea merece.Tenho vontade de um relacionamento intenso, com tesão emocional, psicológica e física. Almejo ser de um homem para que ele possa me ter, assim como espero que um homem seja meu para que eu tenha condições de possuí-lo com toda potência que mereço e desejo.Só vou me satisfazer quando conquistar a totalidade do que existe de bom em um único homem. Não quero mensagem subliminar: espero certeza, intensidade, desejo manifestado e ereto, até saciar meu apetite de prazer amoroso e túrgido.

 

Foto: Fernando Seiji Imay/Stock.xchng

Crises pré-trinta

Um amigo recebeu o e-mail abaixo de uma amiga meio louca. Acho que vale a pena postar aqui. Tem alguém se sentindo assim, com a proximidade de completar 30 anos. Os 20 se acabando e a gente “ainda” não foi feliz!

DECO, é isso:
Gozei 3 vezes, depois 2, depois levei um fora e não paro de pensar!
Na real não foi um fora. Eu o convidei pra ir a uma festa, ele disse que tinha plantão no escritório (é médico agora, hahahahha). Mas saiu com os amigos e foi de convidado na mesma festa que eu tinha convidado. – E eu em casa vendo Woody Allen!
Eu fiquei puta com ele, ele me disse que eu não espere nada dele. Que gosta de mim. Mas nada sério. Eu disse tudo bem. Isso foi no domingo. Ele ia ligar
naterça e não ligou (gostei do “naterça” tudo junto, hahahahha). Resumo: não paro de pensar, e não consigo dormir. A crise pré-30. Puta que pariu. Levei um fora e tá doendo a mente! E agora tô chorando pelo alemão, que me deu um fora há mais de 4 anos! Hahahhaahha! Você entende isso? Eu não amo o cara (o do Brasil), mas não paro de pensar, socorro!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Deco, é sério, me socorre! Please! Tentei te ligar, preciso de um ombro, ou de um vibrador, ou de ir pra Disneylandia! FUDEU – Que faço? Não ligo mais pra ele? Ah, mas eu gozei três vezes com ele, isso não acontece todo o dia! O cara tem o seu valor! Hahhahahah
Desculpa por esse e-mail, não mostra pra Neneca, tô bêbada!

 

Foto: Ayhan YILDIZ/Stock.xchng

Exigente, eu?!

Exigente-euDia desses meu amigo Zé me disse: “Vocês mulheres de 30 (e poucos) estão ficando muito exigentes, assim vão acabar solteironas”.

Minha resposta imediata foi: “Exigente, não!”. Somente não nos contentamos com qualquer coisa. Se for para namorar um bonitinho e ordinário, um problemático ou um perdido na vida e pé rapado fico sozinha e feliz – já me bastam os meus problemas.

Nosso “debate” durou horas e meu amigo Zé me confessou que as mulheres de 20 (e poucos) têm sido a melhor escolha, afinal de contas elas não questionam, querem é ajudar. Para as de 20 o futuro são só flores e não há sapos, só príncipes.

Me lembro quando tinha 20 anos e adorava fazer o papel de psicóloga e também de secretária do ser amado, ajudando-o com todas suas dúvidas existenciais e problemas familiares – de quebra, ainda ajudava a organizar a casa e a agenda. Realmente não questionava nada, achava que com meu ombro amigo e poder de organização o “príncipe” ficaria cada vez melhor e viveríamos felizes para sempre.

Não me arrependo dos erros que cometi, só errando que se aprende. Enquanto o Zé segue colecionando as meninas de 20 (e poucos) – só esse ano ele já teve três “grandes amores” –, sigo aqui na minha solteirice, aberta a novas pessoas, mas sem me atirar pra qualquer coisa que apareça.

Não estou à procura do ser perfeito, todo mundo tem defeitos e problemas, o que não quero é um Zé da vida que precisa apenas receber sem querer dar nada de si. Uma relação sem parceria, sem troca, sem amizade, enfim, sem cumplicidade não me serve. Não acho que serei uma solteirona, aprendi a acreditar naquela máxima que diz: antes só do que mal acompanhada.

 

Foto: Josep Altarriba/Stock.xchng

Um amor de 30 anos

Um-amor-de-30-anosO texto da caixinha tocou fundo e incentivou a crônica a seguir. Após constatar uma lacuna emocional de 30 anos na minha vida sentimental, me comprometi, em solene convenção das Mulheres de Quinta, a escrever sobre o ocorrido. O espaço de três décadas casou direitinho com a preciosa simbologia da caixinha. O mais curioso é que nem percebi que havia passado tanto tempo. Parece que foi ontem. Que bom!

Pois eu tirei o príncipe do pequeno compartimento; ele reapareceu na minha frente do nada. Uma simples busca na internet e bingo: encontrou o meu nome, sem me procurar, e decidiu conferir.

Olhei uma novidade daqui, outra de lá, e decidi que estava na hora de pagar para ver o Mauro, depois de 30 anos. Eu apostei tudo, no tudo ou nada. Conferi que muitas coisas aconteceram no tempo que passou, mas o sentimento que pensei que não existia estava guardado no cântaro ao lado dele.

Fui observando e percebi que a minha organização psicológica havia permitido esconder preciosidades em diferentes compartimentos. Foi neste instante que o Mauro reapareceu, se transformou no homem que me permitiu maior satisfação do que o garoto de outrora. A emoção guardada foi desvendada na frente do homem maduro, mais bonito, atencioso, que chega aos poucos e com firmeza…. Vou parar este tópico por aqui porque, bem, deixa assim.

Ele me convidou para almoçar. Fiquei tão nervosa quanto qualquer adolescente que se permite viver as emoções. Ele estava a-pa-ren-te-men-te calmo, mas eu percebi que estávamos em estado de choque, de sonho, ilusão, com o questionamento tipo: será realidade?

As cenas que seguiram pareciam coisas de novela das seis da tarde, sem manifestação de testosterona ou progesterona. Isto não significa que eu não tivesse ficado com vontade, mas o tempo era curto. Graças a Deus. Senão a gente entraria em clima de Nove e Meia Semanas de Amor em plena segunda-feira. Até que seria uma ótima ideia. Após três décadas, os olhos se encontraram e, na cumplicidade, viram as mãos se afagarem e eu me senti a mulher mais feliz da Via Láctea.

Os lábios foram testemunhas do descerramento dos mistérios. O príncipe continuou príncipe e eu percebi que a realidade tem gosto bom, cheiro estimulante e toque especial.

Estes são os sentimentos das minhas descobertas com o Mauro e isto é tudo que importa no hoje, sem pensar – apesar de desejar – se vai permanecer assim pelos próximos 30, 40, 50 anos.

 

Foto: Ivan Petrov

A paixão numa caixinha

A-paixao-numa-caixinhaAssim: você conhece um cara legal, muito legal, que parece ter tudo para ser seu parceiro ideal. Por algum motivo, a história não rola, não dá certo. Mas ele continua parecendo tudo de bom. Essa é a hora de colocar o príncipe na caixinha.

O termo “a caixinha” foi um amigo meu que cunhou – ele queria colocar a ex-namorada numa caixinha, guardar aquele amor para lembrar e tirar de lá em um momento melhor. Achei tão engraçadinho e tão parecido com o que sempre acreditei, que adotei o termo para mim. Tenho alguns meninos na minha caixinha.

Há muitos motivos para uma paixão não vingar. Vocês podem querer coisas diferentes da vida. Também pode ser que você (ou ele) esteja namorando. Não saber como se achar, se foi um encontro fortuito, ou estar só de passagem por algum lugar. Às vezes simplesmente o vento não sopra como deveria – o fato é que o cara perfeito esteve ali na sua frente, e o barco não navegou. Lá vai ele para a caixinha.

A magia da caixinha é ela ser invariavelmente bonita e nunca ficar pequena. Podemos guardar nela a imagem idealizada de alguém que não chegamos a conhecer por completo, o reflexo apenas do encontro, em que a decepção ainda não deu as caras. É bem provável que vários desses príncipes tenham potencial para sapos num relacionamento mais longo. Mas, enquanto a gente não sabe, lá ficam eles tão perfeitinhos para que possamos relembrar em fases menos promissoras.

Claro que não adianta viver só disso – você pode morrer de velha à espera de que aquele cara maravilhoso que conheceu num café em Istambul volte a aparecer em sua vida em momento e lugar mais propício. Muitos dos príncipes nunca saem da caixinha. Mas às vezes a vida conspira, eles reaparecem, e o vento volta a soprar. O negócio é viver – e se o príncipe, depois de beijado, continua príncipe… ah, como é bom!

E você, tem uma caixinha?

 

Imagem: Ilker/Stock.xchng

Entrando numa fria

Entrando-numa-friaNão sei mais o que fazer. Por que tenho alimentado esse sentimento febril que toma conta de meus pensamentos e da minha carne? Não consigo justificar! Por que quando a possibilidade de sofrer se aproxima sinto aquele estremecer interno que me impede de ir na direção contrária? Nem tento me conter… preciso realmente de ajuda (alguém?). É a encrenca se aproximando e eu mergulhando com tudo mais uma vez.

Deveria eu resistir às investidas daquele menino-homem, estilo Don Juan, que com sua carinha de bebê e mãos obscenas pretende me arrastar ao inferno? De fato – estou me lembrando bem agora –, tudo nele soa pornográfico, não apenas os dedos decididos em busca do meu sexo. Ou será apenas o meu reflexo em seus olhos?

Me deixei perder em sua boca, no magnetismo de seus braços e no seu corpo sedento pelo meu. A razão sinalizava para eu me afastar e, no momento em que pude decidir pela continuidade daquele relacionamento sem pé nem cabeça, adivinha só… Dei para trás. Cedi. Pensava “não”, dizia “sim”. Literalmente, para o deleite daqueles que gostam de me ver ruir. E aquela luta interna entre avançar e interromper só fortaleceu mais meu cego desejo. “Agora é tarde”, dizem… Será que realmente não há tempo? Afinal, uma parte de mim não quer querer tanto assim… Por que a ignoro, se sei de antemão onde tudo vai parar? O que farei então com as inevitáveis lavas em meu peito? Com meus orgasmos múltiplos que no final só servirão para multiplicar também a minha dor? Encontrarei ainda alguma forma de segurar meus impulsos reincidentes e meus movimentos cada vez mais escravos?

Quanto mais eu vejo o quanto temos em comum e percebo que suas fantasias cruzam com as minhas, mais me envolvo e o controle me escapa entre os dentes, em uma libertação conjunta aos meus gemidos – por enquanto, de prazer. Terá valido a pena quando eles se transformarem em angústia?

 

Imagem: Nicolas Raymond/Stock.xchng

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