Homens loucos IV

Homens-loucosEle era um grude, não me deixava respirar outro ar que já não tivesse passado por ele. Em um dia, ficamos; no outro, já estávamos namorando. Um mês e meio depois, ele se mudou definitivamente para minha casa. No começo, não percebi que era obsessão. Quando ele pediu para ir junto no chá de panela de uma amiga, não me contive: “Vem cá, tu não sabe que esse tipo de evento é só para mulher, hein?. Quase não me deixou ir… “Mas o que vocês aprontam lá que os homens não podem ir? Vocês chamam strippers, é?! Ai de ti se não me contar tudo!” Ligava de cinco em cinco minutos. Aliás, como sempre, fazia o mesmo em relação ao meu trabalho. Quase fui demitida por tantas ligações particulares. Se o ônibus atrasava, então, eu já sabia a cara amarrada que eu ia encontrar em casa pelo resto da semana. Cada ligação que eu recebia tinha que contar quem era e reproduzir palavra por palavra. Foram anos insuportáveis… Sufocantes. Olhando para trás, não sei como levei tanto tempo para enxergar. Hoje, longe dele, no ar que eu respiro, eu sinto prazer…

 

Foto: Scott Adams/Stock.xchng

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Quero tudo

[zilla_alert style=”white”] By Laïla [/zilla_alert]

Quero-tudoAs atitudes e decisões da tua vida não me dizem respeito e jamais estarão sob minha responsabilidade, pois não estão diretamente relacionadas comigo. Minhas iniciativas ocorrem em cima de fatos, não de suposições ou negociatas, tipo: se eu fizer isso, tu fazes aquilo. Cresce, amadurece, faz uma avaliação do que realmente é importante para ti, mas não tenta me envolver em condicionais.Eu sei o que quero para mim: um homem, não um estrategista. Preciso de um cara que seja cavalheiro, amável, sincero, fiel e excitante. Ainda desejo, como a maioria das mulheres, um ser másculo, que me faça estremecer com as atitudes, com as palavras e com o vigor sexual que toda fêmea merece.Tenho vontade de um relacionamento intenso, com tesão emocional, psicológica e física. Almejo ser de um homem para que ele possa me ter, assim como espero que um homem seja meu para que eu tenha condições de possuí-lo com toda potência que mereço e desejo.Só vou me satisfazer quando conquistar a totalidade do que existe de bom em um único homem. Não quero mensagem subliminar: espero certeza, intensidade, desejo manifestado e ereto, até saciar meu apetite de prazer amoroso e túrgido.

 

Foto: Fernando Seiji Imay/Stock.xchng

O Zé resolveu falar

[zilla_alert style=”white”] By Zé nº 1 [/zilla_alert]

“Por que não criam o de vocês?”, devem perguntar as minhas amigas, anônimas editoras do Mulheres de Quinta. Bom, queridas, a resposta é simples. Primeiro: sei que não vou ter saco de alimentar um blog só meu (ou “nosso”). Segundo: nós, homens (e falo no plural propositalmente) já concluímos que está na hora de nossa contribuição ir além das frases que o “Zé” lança em conversas – agradecemos o pseudônimo. Além disso, quem ia parar pra ler as nossas coisas? É mais fácil pegar carona no sucesso alheio.
Assim, se a sinceridade não as incomoda, pedimos vênia para expor um ponto de vista masculino e tentar, de alguma forma, realizar a “redenção da raça” ou um mero desabafo. Ocorre que nós, homens, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, também temos nossas queixas, nem todos somos ogros ou príncipes encantados. E é exatamente o gancho do príncipe encantado que escolhi para essa primeira contribuição mais efetiva.

O-Ze-resolveu-falarHá coisa de alguns meses, em meio a um evento da “grande família” (minha vó tornava-se octogenária), presenciei uma cena que ilustra bem a questão. Família toda sentada à mesa, exceto os netos e bisnetos menores – da última leva, todos com idade entre 4 e 7 anos. Enquanto os meninos arrancavam as folhagens do jardim para brincar de espada e golpes do Naruto, a “plincesa” caçulinha do clã escalava o escorregador do playground. Uma vez lá em cima, ela decreta: “Eu sou a ‘plincesa’! Vocês TEM QUE me salvar!!!”. A reação dos gladiadores? Ignoraram solenemente.

Demorei alguns meses para entender que aquela cena, guardadas as proporções, seria uma constante na vida de seus protagonistas. De fato, hoje balzaquiano, tendo passado por mais de uma separação complicada e com alguma experiência “extra-curricular” nas costas, me sinto autorizado a dizer que uma das maneiras mais eficientes de que uma mulher dispõe para atemorizar qualquer bravo que possa pensar em se habilitar é jogá-lo em cima do cavalo branco.

Vocês querem que a gente seja sensível, mas firme. No primeiro encontro, se mete a mão, só quer sexo; se não mete, não gostou ou não gosta da coisa mesmo. OK, é difícil. Mas a gente não está ali para ser o salvador. Vocês lutaram tanto para termos direitos iguais, aí estão os direitos. Rachar a conta? Nossa, é um verdadeiro dilema. Ainda um dia desses, saí com uma menina que tinha como frase de chamada no MSN “Miss Independent”. Chega a conta e eu, querendo fazer bonito, me ofereço para pagar. Ela, prontamente, se dispõe a rachar e até meio que insiste. Eu vou discutir esse assunto com alguém que utiliza uma frase dessas? Melhor não. Simplesmente fingi que não percebi e, rapidamente, deslizei o Santo Visa para dentro da caderneta do restaurante.

Mas o cerne da questão não é esse. A gente sabe que vocês (salvo algumas exceções) topam (e às vezes realmente preferem) rachar a conta. Só que, de um modo geral, ainda querem se sentir cortejadas com essas e outras tantas coisas. A mulher moderna (isso é uma generalização, eu sei), de regra, sabe que pode transar com quem ela quiser sem culpa. Ela é maior de idade, mora sozinha e paga suas contas. Mas essa mesma mulher ainda quer que a gente abra a porta e fale com o pai dela, mostrando nossas boas intenções com a filhinha dele.

O fato, meninas, é que esse meio termo é uma coisa meio complicada de achar. Eu, particularmente, não chego montado em um cavalo branco. Se a montaria está ali, a meu lado no quadro que vocês pintam, podem saber que estou só levando o animal para pastar.

 

PS.: Meninos, este novo espaço só depende de vocês. Soltem o verbo! Contribuições para mulheresdequinta@gmail.com.

 

Foto: Stock.xchng

Assim do nada

assim_do_nadaQuem é que nunca disse “Só vou ali tomar uma cerrrveja e volto antes das dezzz para casa” e, então, em um pissscarrr de olhos a noite vira uma grande fesssta, com pessoass superr legaiss, ótimoss paposs, beijo na boca e as dezz da noite se transforrrma nas seisss da manhã do dia seguinte? É, meu bem, dia desses vivi isso mais uma vezzz – sim, porrrque Carrrminha já teve váriasss noites que começaram modestass e terminaram em grande estilo.

E nesta não foi diferente. Além de muita cerrrveja e bom papo, até um garoto apareceu para alegrar a minha noite. Sabe aquele tipo que a gente nem dá bola quando chega na mesa? Ele chegou assim de mansinho, sem grande entrada triunfal, muito querido com todosss. E eu que nao sou boba nem nada resolvi olharrr melhorrr o garoto, messsmo tendo outrosss olhando para mim. Gosstei do estilo, e messsmo converrrsando com outrosss estava de ouvido e olhosss nele.

Perrrcebi que a recíproca era verrrdadeira e, com o meu melhorrr estilo, chamei o garoto para a converrrsa, dizendo apenasss uma frase – ah, e que frase! – e ele praticamente correu para converrrsar comigo. Converrrsamosss muito porque estávamosss em local público e bem iluminado; do contrário já poderíamos ter ido direto para os beijossss e amassoss. Usei de todo meu charrrme durante a converrrsa até o momento em que o rapazzz me desconcertou, e olha que nao é fácil desconcertar Carrrminha.

A noite nao poderia ter terrrminado melhor: carinhossss, beijosss, conversasss ao pé do ouvido e muito sexo (de ótima qualidade, por sinal) – porrrque não sou palhaça, né? Aviso, mesmo indo só tomar uma cerveja para voltar às dezzz é sempre bom uma lingerie de estilo, pois ali mesmo no bar da esquina pode-se acabar encontrando o gatinho do momento, huuummmmmmm…

 

Foto: Stock.xchng

Crises pré-trinta

Um amigo recebeu o e-mail abaixo de uma amiga meio louca. Acho que vale a pena postar aqui. Tem alguém se sentindo assim, com a proximidade de completar 30 anos. Os 20 se acabando e a gente “ainda” não foi feliz!

DECO, é isso:
Gozei 3 vezes, depois 2, depois levei um fora e não paro de pensar!
Na real não foi um fora. Eu o convidei pra ir a uma festa, ele disse que tinha plantão no escritório (é médico agora, hahahahha). Mas saiu com os amigos e foi de convidado na mesma festa que eu tinha convidado. – E eu em casa vendo Woody Allen!
Eu fiquei puta com ele, ele me disse que eu não espere nada dele. Que gosta de mim. Mas nada sério. Eu disse tudo bem. Isso foi no domingo. Ele ia ligar
naterça e não ligou (gostei do “naterça” tudo junto, hahahahha). Resumo: não paro de pensar, e não consigo dormir. A crise pré-30. Puta que pariu. Levei um fora e tá doendo a mente! E agora tô chorando pelo alemão, que me deu um fora há mais de 4 anos! Hahahhaahha! Você entende isso? Eu não amo o cara (o do Brasil), mas não paro de pensar, socorro!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Deco, é sério, me socorre! Please! Tentei te ligar, preciso de um ombro, ou de um vibrador, ou de ir pra Disneylandia! FUDEU – Que faço? Não ligo mais pra ele? Ah, mas eu gozei três vezes com ele, isso não acontece todo o dia! O cara tem o seu valor! Hahhahahah
Desculpa por esse e-mail, não mostra pra Neneca, tô bêbada!

 

Foto: Ayhan YILDIZ/Stock.xchng

8 de março

Casada, solteira, separada ou “pendurada”, exigente ou dada, bem-resolvida ou imatura, sensível ou prática, de quinta ou não. Carpe diem, que o dia é nosso! PS: Tudo bem, todos os dias são nossos… e devemos aproveitá-los sempre. Mas vai dizer que não é bom ter um dia que podemos chamar de só nosso?

Homens loucos III

Homens-loucosA gente se conheceu há seis meses. Na terceira vez em que nos vimos, ele pediu para dormir na minha casa. Duas semanas depois, já compartilhávamos gostos e amigos, e estávamos juntos várias noites por semana, fosse no bar, no MSN ou aqui no meu sofá. Ele me conta os passos do trabalho que está fazendo, eu incentivo e ajudo; com estímulo e parceria dele, também fiz algumas coisas bem legais nesse ano. A gente tem boa sintonia para cinema e literatura, gostamos de fugir dos problemas e temos o hábito de deixar tudo para depois. Ele já me puxou o cabelo, beijou meu pescoço, me arranhou as costas. E já me levou café na cama, só porque sabia que eu gostava. Ele me convida pra almoçar, pra ir no cinema, adivinha minhas músicas preferidas e me liga várias vezes por semana – ou várias vezes num só dia. Quando nossos amigos me encontram, quase sempre me perguntam onde ele está; e eu quase sempre sei.

A gente nunca fez sexo – sequer se beijou. Ele é só-amigo e tem uma namorada distante. Ontem à noite ele brincou com o elástico da minha calcinha. Haja amizade.

PS: Acho que essa série poderia se chamar “Loucos eles ou loucas nós?”, hahaha!

Foto: Scott Adams/Stock.xchng

Saudade

saudadeSaudade de um tempo que não aconteceu, que não conheci. A interação com esse sentimento, aparentemente sem motivo, faz com que me reporte aos antepassados muito remotos. Nesse momento, a minha memória genética indica uma lembrança nostálgica. Retorno a um passado que não lembro ter vivido, mas sei que pertenço a essa história, a essa árvore genealógica.

De volta ao pretérito, sou de outra raça e estou à beira da morte acometida por banzo. Sinto-me acorrentada na senzala que me condena pelos caprichos dos brancos. Saudade das minhas raízes escuras, da cor da terra que dá vida à vida. A vaidade dessa gente clara provoca afetuosas lembranças do meu povo negro da África.

Saudade do que nunca foi e nunca será na minha atual existência. Percebo que também sou responsável pelo racismo, preconceito e diferenças sociais. Tenho minha porção na história pelo tempo que assumi o compromisso da impotência. Também agi com intolerância em acreditar que era mais do que alguém só porque minha cútis é desbotada.

Ao mesmo tempo, me permito admitir que minha atual raça é tão popular quanto o eterno exibicionismo do homem branco. Êta corzinha corriqueira! Até parece um punhado de areia que pode ser encontrado em qualquer esquina. Como pode a raridade de uma pele negra não ser mais valorizada do que a branca? No meu ponto de vista, essa lógica é ilógica. Nessa inversão de valores sinto pesar pela ausência do curso natural da vida.

Saudade da saudade que não veio, da idade que não chegou, do amor que não aconteceu, do filho que não foi gerado, da morte que um dia reinará. Saudade da negra que não lembro se fui e da princesa Isabel que gostaria de ter sido. Vontade de retornar ao oceano que não foi meu habitat; sinto a necessidade de escutar a cantiga da terra entoada pelo marujo em alto-mar.

Rebenqueada das saudades dos pampas que passei, deixei a separação do meu eu solidão, do arcaico soydade ou da eterna soledade de uma rainha sem fronteiras. Graças a esses limites liberados é que adentrei no encafifado mundo da razão. É nesse paraíso que me dou o prazer de afetuosas lembranças que servem para o meu aprendizado. Nesse trajeto de planícies e planaltos, consigo me abastecer com a saudade da lembrança esquecida e da solidão que ficou nos meus pagos. Que saudade dessa saudade que está indo embora!

 

Foto: Benjamin Earwicker/Stock.xchng

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