Homens loucos II

Homens-loucos– Como eu poderia melhor participar da tua vida?

Ao ouvir esta frase, meus olhos se agigantaram ainda mais. E teriam sorrido, se não fossem as frases subsequentes que demonstraram o arrependimento imediato da pergunta proferida. Rolou um papo de caminhos distintos e incomunicáveis. Logo, se é certo que vamos para rumos opostos, sinceramente não entendi a pergunta. O que esperava ele ouvir de mim? “Depois as mulheres é que são complicadas”, pensei. Como um homem, por um lado nitidamente querendo estar do meu lado, pode temer isto? Talvez pelo trauma, soube depois, da mulher que o abandonou porque ele não estava preparado para ter filhos. Tinha uma obsessão com a probabilidade de ter filhos, a ponto de imaginar que, como eu estava perto dos trinta, em breve este desejo despertaria… Mas o cara era louco. O receio era tanto que ele chegou a me contar – pasmem, meninas! – que não joga a camisinha na lixeira comum do banheiro ao transar com alguma mulher: ele enfia no vaso e puxa a descarga, pensando que a menina pode ir ali e “resgatar” a tão almejada porra dele para fazer um filho… Vê se pode!

Esta é uma série de textos curtos sobre coisas absurdas de homens absurdos que nos aparecem. Fatos que já nos fizeram chorar e que hoje rendem boas risadas! Contribuições são bem-vindas: todas estão convidadas!

 

Foto: Scott Adams/Stock.xchng

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E a educação, cadê?!

E-a-educacaoO caso Geisy já rendeu muito papo, muito debate nos meios de comunicação. De tudo que vi e li tem uma coisa que não me sai da cabeça: a que ponto chegou a falta de qualidade das instituições de educação do nosso país.

Se a Geisy fosse linda, se estivesse com uma minissaia de grife, cabelo bem pintado e estudando em uma universidade cara, será que este escândalo haveria acontecido?! Aposto que não. E se caso houvesse certamente a reitoria teria tomado outra atitude com os estudantes que fizeram todo aquele tumulto.

A educação no Brasil terminou de se banalizar com a criação dessas universidades que cobram 200, 300 reais mensais (como é o caso da Uniban), lugares que na sua maioria nada mais são do que fábricas de dinheiro. O público alvo destas universidades são as pessoas de baixa renda, aqueles que já tentaram passar no vestibular em várias universidades e aqueles que só querem dizer que estão cursando o nível superior.

Não sou contra que pessoas de baixa renda estudem, se eduquem, muito pelo contrário; o que sou contra, sim, é que os educadores e as instituições de ensino sejam de má qualidade. Se os professores/funcionários na Uniban tivessem nível, educação, teriam parado este tumulto no primeiro minuto para darem exemplo aos baderneiros de plantão.

Vi também a opinião de algumas estudantes de Uniban sobre o “mau” comportamento de Geisy. Entre várias bobagens ditas uma delas foi a de que universidade não é lugar para usar saia, “temos de nos vestir adequadamente”. Então, eu pergunto, o que é se vestir adequadamente?! Quem sabe a Uniban institui o uso obrigatório de uniforme para que a moral e os bons costumes sejam preservados?!

Me envergonho em saber que ainda há mulheres com a mentalidade tão pequena. Quanto aos machos ignorantes, só posso dizer que são uns coitados. Será que quando olham suas mães e irmãs usando saias curtas eles gritam “vagabunda”?! A raça humana é decadente e os homens brasileiros uns hipócritas.
Espero que a Geisy saia na revista Playboy. Os idiotas do tumulto não terão mais o prazer da companhia dela, vão ter de se contentar com as páginas da revista. Espero que a Geisy encha o bolso de grana e escolha uma universidade de qualidade para se graduar. Aproveita teus 15 minutos de fama!

Ansiedade

Ele estava a-pa-ren-te-men-te calmo, mas eu percebi que estávamos em estado de choque, de sonho, ilusão, com o questionamento tipo: será realidade?

Um amor de 30 anos

Um-amor-de-30-anosO texto da caixinha tocou fundo e incentivou a crônica a seguir. Após constatar uma lacuna emocional de 30 anos na minha vida sentimental, me comprometi, em solene convenção das Mulheres de Quinta, a escrever sobre o ocorrido. O espaço de três décadas casou direitinho com a preciosa simbologia da caixinha. O mais curioso é que nem percebi que havia passado tanto tempo. Parece que foi ontem. Que bom!

Pois eu tirei o príncipe do pequeno compartimento; ele reapareceu na minha frente do nada. Uma simples busca na internet e bingo: encontrou o meu nome, sem me procurar, e decidiu conferir.

Olhei uma novidade daqui, outra de lá, e decidi que estava na hora de pagar para ver o Mauro, depois de 30 anos. Eu apostei tudo, no tudo ou nada. Conferi que muitas coisas aconteceram no tempo que passou, mas o sentimento que pensei que não existia estava guardado no cântaro ao lado dele.

Fui observando e percebi que a minha organização psicológica havia permitido esconder preciosidades em diferentes compartimentos. Foi neste instante que o Mauro reapareceu, se transformou no homem que me permitiu maior satisfação do que o garoto de outrora. A emoção guardada foi desvendada na frente do homem maduro, mais bonito, atencioso, que chega aos poucos e com firmeza…. Vou parar este tópico por aqui porque, bem, deixa assim.

Ele me convidou para almoçar. Fiquei tão nervosa quanto qualquer adolescente que se permite viver as emoções. Ele estava a-pa-ren-te-men-te calmo, mas eu percebi que estávamos em estado de choque, de sonho, ilusão, com o questionamento tipo: será realidade?

As cenas que seguiram pareciam coisas de novela das seis da tarde, sem manifestação de testosterona ou progesterona. Isto não significa que eu não tivesse ficado com vontade, mas o tempo era curto. Graças a Deus. Senão a gente entraria em clima de Nove e Meia Semanas de Amor em plena segunda-feira. Até que seria uma ótima ideia. Após três décadas, os olhos se encontraram e, na cumplicidade, viram as mãos se afagarem e eu me senti a mulher mais feliz da Via Láctea.

Os lábios foram testemunhas do descerramento dos mistérios. O príncipe continuou príncipe e eu percebi que a realidade tem gosto bom, cheiro estimulante e toque especial.

Estes são os sentimentos das minhas descobertas com o Mauro e isto é tudo que importa no hoje, sem pensar – apesar de desejar – se vai permanecer assim pelos próximos 30, 40, 50 anos.

 

Foto: Ivan Petrov

A paixão numa caixinha

A-paixao-numa-caixinhaAssim: você conhece um cara legal, muito legal, que parece ter tudo para ser seu parceiro ideal. Por algum motivo, a história não rola, não dá certo. Mas ele continua parecendo tudo de bom. Essa é a hora de colocar o príncipe na caixinha.

O termo “a caixinha” foi um amigo meu que cunhou – ele queria colocar a ex-namorada numa caixinha, guardar aquele amor para lembrar e tirar de lá em um momento melhor. Achei tão engraçadinho e tão parecido com o que sempre acreditei, que adotei o termo para mim. Tenho alguns meninos na minha caixinha.

Há muitos motivos para uma paixão não vingar. Vocês podem querer coisas diferentes da vida. Também pode ser que você (ou ele) esteja namorando. Não saber como se achar, se foi um encontro fortuito, ou estar só de passagem por algum lugar. Às vezes simplesmente o vento não sopra como deveria – o fato é que o cara perfeito esteve ali na sua frente, e o barco não navegou. Lá vai ele para a caixinha.

A magia da caixinha é ela ser invariavelmente bonita e nunca ficar pequena. Podemos guardar nela a imagem idealizada de alguém que não chegamos a conhecer por completo, o reflexo apenas do encontro, em que a decepção ainda não deu as caras. É bem provável que vários desses príncipes tenham potencial para sapos num relacionamento mais longo. Mas, enquanto a gente não sabe, lá ficam eles tão perfeitinhos para que possamos relembrar em fases menos promissoras.

Claro que não adianta viver só disso – você pode morrer de velha à espera de que aquele cara maravilhoso que conheceu num café em Istambul volte a aparecer em sua vida em momento e lugar mais propício. Muitos dos príncipes nunca saem da caixinha. Mas às vezes a vida conspira, eles reaparecem, e o vento volta a soprar. O negócio é viver – e se o príncipe, depois de beijado, continua príncipe… ah, como é bom!

E você, tem uma caixinha?

 

Imagem: Ilker/Stock.xchng

O homem, o pênis e a vagina

O-homem-o-penisNão me atreverei analisar o tema com uma visão freudiana pois não sou letrada para tanto. O que tenho sim é experiência de vida e consequentemente certo conhecimento (vivido na prática) acumulado.

Desde que comecei a querer e a conhecer o corpo masculino, observo que certos homens têm a necessidade de dar nome ao seu pênis; já ouvi coisas do tipo:”ele”, ”júnior”, “o querido”, “jonas”, “o amigo”, entre outros. E, já que estes pênis possuem nomes próprios, são tratados como se fossem uma pessoa. Uma vez um cara me disse: Dá um beijo nele? Eu, sabendo do que se tratava, tive de tirar um sarro e disse: Nele? Tem outro cara aqui? Chama ele aí, vamos fazer uma brincadeira a três.

Há também os homens que se referem à vagina na terceira pessoa: Ah! Deixa eu tocar nela! Ou então: Deixa “eles” conversarem (quanta gente nessa cama, penso eu).
Vendo os órgãos genitais como um ser à parte, fica fácil compreender por que certos homens acham que sexo é apenas a penetração, o famoso pau dentro. Daí eles reclamam que a mulher não é boa de cama, que ele quase não teve vontade de gozar, entre outras bobagens.

Estes homens acabam sendo aqueles que só servem para trepar e olhe lá. Sim, trepar mesmo, tipo bicho, pois este tipo de homem descompreende o quão gostoso e complexo é o sexo.

Um aviso ao homens que assim se comportam e para as mulheres que aceitam este comportamento: os órgãos genitais não têm vida própria, fazem parte do nosso corpo; portanto, esqueçam do “amigo”, ”júnior”, “dela”.

Sexo não se resume em pênis e vagina. Sexo de qualidade começa com um bom papo, um carinho no rosto – até chegar numa mordidinha no dedão do pé. E, de um extremo ao outro, são feitas várias paradas: para se aproveitar cada parte do nosso corpo.

 

Foto: Sandy Lewanscheck/Stock.xchng

Eu ia escrever…

Eu-ia-escreverNós, Mulheres de Quinta, interagimos de forma cada vez mais frequente, diria que é um saudável vício diuturno, que se estende de domingo a domingo, por email, telefone, MSN, pessoalmente, teleboy ou transmissão de pensamento. Às vezes estamos reunidas, falando ao mesmo tempo e em clima de cumplicidade. É lógico que todas se entendem, pois tal habilidade é natural entre nós, mulheres, que fazemos muitas coisas ao mesmo tempo. Em outros momentos, choramos, rimos ou sonhamos aos pares, por princípios de identificação ou necessidade de desabafar para aquela amiga.

Um desses encontros ocorreu em uma sexta-feira, durante um breve e maravilhoso happy hour, em que, como sempre, eu aprendi coisas interessantes.

Muitas sugestões de crônicas surgiram no meio das eloquentes conversas, pois uma serve de inspiração para outra e acabamos contaminadas, além de definir, como se fosse uma pauta, quem vai falar deste ou daquele assunto. Só que o acordo dos temas não é algo assim, como diria, “compromisso moral”.

A gente diz que vai escrever sobre determinada proposição, mas muitas coisas acontecem entre a mesa do bar e o computador de cada uma de nós. As ideias se dissipam e até se transformam, como está acontecendo comigo agora. Só que a promessa da crônica foi realizada por mim, uma das anônimas do blog, mas o texto legal e desprendido que sai deste ’corpitcho’ é da Laïla, a minha caprichosa inspiração que só se personaliza quando quer e tem vontade. Já faz 24 horas que chamo pela Laïla e nada.

Assim, mudei a pauta, como faria uma repórter que sai para cobrir a quermesse e acaba encontrando o Papa. Hoje estou me achando e quero mais é assumir a personagem de papisa da minha oportunidade e, quem sabe, reforçar o compromisso de um dia escrever sobre o tema que prometi. Aproveito a minha singular chance para deixar um recado para Laïla: “Obrigada por permitir a minha manifestação, mas aparece logo porque as Mulheres de Quinta merecem palavras mais espirituosas”.

 

Foto: Tommy Johansen/Stock.xchng

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