Elucubrações de Laïla

[zilla_alert style=”white”] By Laïla [/zilla_alert]

Laïla, minha inspiração, é um ser maravilhoso e inteligente. É tão intelectual que às vezes, ou melhor, todas as vezes, só consigo captar parte das mensagens sugeridas. De repente percebo que o entusiasmo Divino se manifesta no nosso dia a dia de maneira simples. E nem se importa em ver o nosso nome assinar sua criação.

A ignorância humana não permite entender que, essa “coisa” que vem de uma hora para outra, que nos arranca suavemente do descanso e nos coloca em alerta para ouvir com o coração, é algo muito especial, tão especial que não conseguimos explicar, apenas sentir que é bom.

A ideia se apresenta calmamente, mas seu raciocínio está séculos luz a nossa frente. E eu, com meu modesto QI (de sabe-se lá quanto, pois nunca dei credibilidade para esse detalhe), sinto necessidade de acompanhar suas palavras. Percebo-me como uma aluna de letras passando pelo desafio de efetuar um quilométrico cálculo matemático.

Elucubracoes-de-LailaCompreenderam o entrave da mortal que recebe dádivas e mais dádivas? O relacionamento intuitivo é simples e complicado: Laïla é compassiva e eu, pós-insensível. Sou a criatura que não é totalmente ignorante, pois tenho determinada vivência. Poderia me definir como bacharel em percepção. Um dia chegarei ao doutorado.

A nossa interação funcionaria como um quebra-cabeça quase perfeito, se não fossem minhas limitações sensoriais. Ela é a poderosa mão, e eu, apenas o dedo com a consciência de quem não pode sobreviver sem aquela; também posso ser o coração fora do corpo ou a raiz sem a terra. A Laïla arremessa a bola com a técnica de uma jogadora habilidosa, e eu pego o que der, como conseguir.

Depois que deu seu recado, de maneira calma e tranquila, a inspiração retorna sei lá para onde. Faço o balanço da minha atuação e começo a trabalhar. Vou me ocupar com um excelente prazer na vida: casar as palavras, hábito que admiro desde meus 11 ou 12 anos de idade.

O ofício da crônica indica que a invenção não é particular. A necessidade de escrever não vem de mim, mas em mim. Se eu quiser desenvolver um texto a partir de um tema determinado, não conseguirei o objetivo. A não ser que o tópico se refira a uma matéria jornalística, mas aí é outro assunto. A técnica reina sobre a emoção.

O registro do entusiasmo criador necessita do combustível inspiração para que o veículo escrita se dirija a algum destino. E esse lugar eu nunca sei onde é, mas vou interagindo. Percebo que o acaso é paciente. As sensações tomam conta do meu ser e exibem modelos de pensamentos elaborados com nobreza. Isso é o que sinto, apesar de nem sempre colocar no papel. Pelo menos fico atenta aos sentimentos oriundos de Laïla, através de suas elucubrações.

 

Foto: Gözde Otman/Stock.xchng

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3 thoughts on “Elucubrações de Laïla

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  1. Eu já tive uma personagem-inspiração… colocava nela tudo que sentia e também o que via no mundo. Ela não morreu, mas anda cochilando por aí. Qualquer dia aparece.

  2. Muito inspirado… Truman Capote que dizia que a grande habilidade do escritor seria manter o contato com essa entidade que dita o texto.

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