A gente é vip

Saímos na revista VIP! Sem nem mostrar os peitos!

Nosso blog foi selecionado para a coluna Direto do blog delas. Tá na edição de outubro, página 170.
Um “obrigada” imenso ao pessoal da revista, que foi muito gente fina; a todas as mulheres e blogueiras de quinta, que têm feito esse espaço mais divertido e interativo; e aos nossos queridos homens de todos os dias… por sempre nos darem tanto assunto!
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Acorda Alice

By Gilka

Eu já sonhei em ser escritora. Queria publicar um livro, ficar famosa, dar entrevista no Jô. Até comecei a escrever um blog. Eu Marta Medeiros. Lembrava do Paulo Coelho – e eu já me sentia internacional. Entretanto nunca li um livro por semana, por mês, por ano, que fosse.

Depois eu quis fazer direito. Era uma ótima escolha. Pensei na federal, mas precisava de um ano de cursinho. A católica era muito cara. A luterana? Já estava falindo.

Almejei passar no concurso do Bando do Brasil. Ter uma graninha garantida e aposentadoria. Te puxa, mulher! E eu sequer comprei as apostilas. Foi quando descobri um planejamento mais estratégico: conseguir um cê-cê na prefeitura. Era só arrumar um quê-í.

Não tinha quê-í. Então eu resolvi fugir para o exterior. A Austrália estava na moda. Mas o book continuava na mesa and – has never been on the table! Até hoje não sei se é in, on ou at the table.

O que quer que seja, ou não funciona ou eu mudo de idéia antes. Ainda me lembro quando quis conquistar aquele gatinho que só tinha rendido umas ficadas inesquecíveis. Aquele das quais as outras eram todas malhadíssimas e não fumantes. Tentei uma daquelas dietas que se começa na segunda-feira. Só nos vegetais. A qual acabou na primeira sexta à meia-noite, com a abóbora virando um bauru da lancheria em meio a um laricão.

Falando em cigarro. Ai, ai, ai! Isto sempre foi plano vitalício. Acho nem cabe em uma existência só. Pastilhinha, chicletinho, emplastro, passei pro light, tô cortando, desisti. Fica para a próxima encarnação.

Esta angústia sempre me estrangulou. Tantos planos, tantas ideias que nunca saíram do chão. Será a insolvência fruto de vagabundagem? Moleza? Falta de recursos? Inferioridade? Megalomania? Suponho que seja medo. (Tirando o cigarro, é claro.) Somente medo. De gostar do que eu realmente gosto e achar o foco. Medo de não ter vergonha. De fazer alguma coisa única. Algo que combine comigo.

Medo que vem de brinde no mesmo pacote onde diz que deveríamos ser assim ou assado. Ou para não ser assim e não ser assado. Ser quase nada. Como alguém tentando torcer o pescoço para ler as instruções na parte de trás da própria embalagem.

Falando em invólucro, lembro da Vivienne Westwood, com quem divido a mesma opinião: temos que fazer somente aquilo que gostamos com total envolvimento. Segundo ela, ninguém vira estilista lendo revista de moda. Assim como eu nunca vou virar eu mesma enquanto não parar de seguir o coelho. (Não estou falando do Paulo, porra. É aquele coelho mesmo, Alice!)

 

Alice - A FREE Friday Download
Alice by Mary Bailey on Flickr

Sem rodinha

Não tive muito tempo para pensar, quando percebi me empurraram e eu fui. Claro que caí, mas subi novamente e fui tentando, caindo e levantando…

A bicicleta e a vida

A bicicleta e a vida 2Ganhei minha primeira bicicleta aos 7 anos. Usei as rodinhas por muito tempo, me sentia segura, fazia ótimas manobras. Quando fiquei maiorzinha retirei, ou melhor, retiraram uma das rodas, e as manobras ficaram mais radicais. Um dia, sem querer, me vi em cima de uma bicicleta sem nenhuma rodinha. Não tinha opção: ou andava ou queimava o filme com a turminha. Não tive muito tempo para pensar, quando percebi me empurraram e eu fui. Claro que caí, mas subi novamente e fui tentando, caindo e levantando até que parei de cair e segui pedalando bem contente. Isso foi há mais de vinte anos, mas a imagem da minha prima me empurrando está gravada na memória.

Agora, imagina se na vida, em certos momentos, para tomarmos certas decisões ou para iniciar projetos, tivéssemos a oportunidade de usar “rodinhas”. Usaríamos no início, para ter segurança, para não cair, e com o tempo retiraríamos uma “rodinha” para nos aprimorarmos, para nos acostumarmos com a ideia, para irmos criando mais e mais confiança.

Sei que para certas coisas nessa vida a gente até tem como usar “rodinhas”, mas foram poucas as vezes em que pude aproveitá-las. Tudo que vivi até hoje foi assim no empurrão, quando vi estava lá fazendo, vivendo, arrumando a mala e indo. Talvez seja por isso que não sofro de véspera: se tem de fazer, se tem de viver, ok, vamos lá, empurra aí que eu vou.

Pode parecer loucura, imaturidade, irresponsabilidade até, mas dessa forma é que encontro coragem, rapidez e frieza, em certas situações, para resolver problemas, para iniciar ou finalizar coisas.

As “rodinhas” somente aparecem quando minhas decisões envolvem/atingem terceiros; mas se for só sobre mim, somente para mim, vou no embalo da bici. Se puder tiro até os pés dos pedais, pra ver até onde aquele empurrão vai me levar. Dependendo, ou desço da bicicleta e procuro outra, ou pedalo bem forte pra chegar aonde quero.

E que venha o próximo empurrão.

Mulher de 30, “mulher mais velha”

Mulher-de-30Lembro de quando eu tinha 20 anos: os meninos que ficavam com alguma mulher de 30 se sentiam o máximo… “Bah, cara… Fiquei com uma mulher mais velha”. E lembro do que aquilo representava para eles: experience – ou “sexperience”, como dizem nossos conterrâneos da Cachorro Grande. Nós, mulheres então de 20, ficávamos imaginando: “Ai, que raiva, o que elas têm que nós não temos?” ou “Como eu queria saber todos os segredos que elas já sabem para enlouquecer um homem”.

Não parece ridículo? O tempo passa e na prática não sentimos muitas mudanças. Sabemos que realmente a experiência faz uma diferença – mas mais para nós mesmas do que para eles, de fato. Nós já conhecemos como as coisas funcionam e qual a melhor maneira de conduzir determinadas situações – e relações. Mas convenhamos: sexo bom e experiência não necessariamente andam juntos. Não é porque trepamos mais que trepamos melhor ou sabemos mais. Meninos, sinto muito: não nos usem só para isto. Sexo é algo natural e depende de cada pessoa. Você pode ter uma experiência sexual maravilhosa com uma mulher de 30, como de 20 ou de 40, 50. E o contrário também, hein?

O pior disto tudo é que é inevitável pensar, cada vez que fico com alguém mais novo, nas expectativas desta pessoa e no quanto esse cara só está ali para conferir a lenda. É horrível, eu sei, mas é a verdade. E ao mesmo tempo não consigo deixar de ficar com esses “caras mais novos”. Talvez, inconscientemente, eu também cultue um estereótipo. Afinal, eles parecem mais vigorosos, cheios de energia, incansáveis…

 

Foto: Dark Water/Stock.xchng

Lourdes

[zilla_alert style=”white”] By Carminha [/zilla_alert]

Nessas minhas andanças pelo mundo já morei com várias pessoas, umas ótimas, outras nem tanto. Enfim, a vida é assim às vezes, temos sorte ou não.

LourdesEis que a sorte bateu em minha porrta, ou eu na dela, no ano de 2004, quando conheci essa maravilhosa chamada Lourrdess. Nossa amizade não foi à primeira vissta, não; coisa que vem fácil vai fácil, meu bem! Ela foi consstruída a cada troca de receita, a cada dica sobre a melhorr tinta pro cabelo, a cada elogio sobre os acessórioss – assim os pontos em comum foram surrgindo. Adorávamos uma feira, pegar ônibus e se perrderr pela cidade, converrsar com pessoas dos mais variados estiloss, dançar muito e beber de graça.

Então, com o passar dos meses, nessa casa onde a mistura de estilos, gostos e comportamentos era o cerne de tudo, surrge a palavra “amiga” entre Lourrdess e Carrminha. Com ela vêm também muitas cervejas, cigarrinhos do demônio, risadas, até lágrimas, tudo bem visceral, ao melhor estilo amizade.

Nós até fazíamos amizade com outrasss mulheresss, mas o requisito era: tem de saber beberr, mulher que toma um copo de cerrveja e fica tonta não serve, é ridícula!

Lourrdess é muito prendada, corrte e cosstura, faz lindass bijuteriass, cozinha como poucass, é mulherr que trabalha duro. É casada e muito bem obrigada, maridão querido, companheiro dela, que currrte boa música, que gossta de política, que se veste bem. Nem poderia ser diferente, poiss uma mulher puro luxo só pode ter um marido puro luxo!

A vida, sempre ela, fez com que um oceano nos separasse, mas nada que um email ou msn não possa resolver, e Carminha sabe que cerrtass amizades são pra vida toda. Lourrdess está num momento sublime, pois está grávida! E eu estou muito felizz em saber que mais uma criançaa com muito estilo e luxo total vem ao mundo.

 

Foto: “Mile End Station: onde tudo começou.”

Cabelos

Meus cabelos são muito importantes para mim, pois eles acompanham todas as mudanças que ocorrem na minha vida. Acredito que o mesmo acontece com os cabelos de vocês, leitores e leitoras.

Um dos meus primeiros cabelos marcantes foi o famoso estilo Chitãozinho e Xororó; que atire a primeira pedra as pessoas na casa dos 30 anos que nunca tiveram esse cabelo. Eu era pequena, mas me lembro que tinha muito orgulho do meu topete. Depois veio a época do cabelo repicado, o meu era praticamente uma juba de leão, pois esse era o sentido do cabelo, quanto mais repicado, mais na moda se estava.

Os anos se passaram e com eles chegaram as luzes!! Lembram da moda das duas mechas loiras na franja?!! As minhas foram praticamente medidas a régua para ficarem perfeitas. Depois a mecha “cresceu” e eu fiquei quase loira; e de loira quase verde, de tanta coisa que fiz no pobre cabelão. Daí cansei de tudo e virei ruiva chanel, tive quase todos os tons de ruivo possíveis e imagináveis, só pra ver no que dava. Sem contar as crises existenciais, os términos de namoro, emprego novo, nova estação: tudo era, e ainda é, motivo para passar a tesoura no cabelo.

CabelosDepois de 12 anos com o mesmo cabeleireiro, resolvi mudar, porque achava que esse já não acompanhava mais minha mente, minhas mudanças. Encontrei um que me entende e que, pasmem, não é gay! Com ele, novos cortes, novos estilos, novas confidências. Fiquei uma época afastada dos salões, deixei o cabelão crescer muito, parei de pintar, depois de um tempo voltei ao salão, cortei novamente, pintei e cortei – enfim, aquela coisa de mulher.

Eis que chegou o momento de voltar a ser natural, até porque já nem lembrava mais o que eu era, então voltei a ser castanha. No dia em que completei 26 anos (isso já faz um tempão) descobri meus primeiros cabelos brancos (eram três fios, me lembro muito bem). Chorei de emoção, de surpresa, de tristeza – foi uma mistura de sentimentos, muito estranho. Hoje, aos trinta e poucos, tenho bem mais de três fios de cabelos brancos, que estão ali crescendo, envelhecendo comigo. Tenho orgulho deles, da forma como me vejo fico feliz em estar envelhecendo aos poucos, e vendo meu cabelo ali mais um vez me acompanhando. Depois de tantas modas e momentos que passaram pela minha cabeça, agora é a hora de ficar coroa, ou melhor, de começar a ficar coroa. A decisão esta tomada, não irei pintá-los, já fiz reuniões com meu cabeleireiro a respeito. Se algum dia virem por aí uma coroa de cabelos grisalhos, cheia de estilo, podem contar que sou eu.

 

Imagem: Nico Sonspack/Stock.xchng

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